Midas de Hong Kong ensina culinária a londrinos

Braulio Pasmanik, Londres, ESPECIAL PARA O ESTADO ,

19 de agosto de 2010 | 06h00

Yauatcha. Show de formas e luzes; dim sum, iguaria criada na Rota da Seda

 

 

A capital inglesa é uma cidade difícil. Os preços são muito altos, o trânsito em sentido contrário vive pregando sustos e a maioria dos "bons" restaurantes serve comida ruim. Nos últimos anos, houve um esforço impressionante para melhorar a terceira assertiva - e de fato multiplicaram-se os restaurantes com propostas novas, alguns consagrados em outros países.

 

Um dos responsáveis por esse movimento é Alan Yau, um chinês de 48 anos nascido em Hong Kong, famoso por seu toque de midas. Entre suas criações, o restaurante mais consagrado é o Hakkasan, de Londres, que acaba de abrir uma filial em Miami, no Hotel Fontainebleau.

 

O Yauatcha, em Londres, empreendimento mais recente, seguiu o mesmo caminho. Consagração imediata com uma estrela Michelin. Não é o melhor chinês de minha vida, mas é o mais bonito. Dividido em duas salas, um jogo de formas e luzes, faz do lugar um show. O ambiente escuro, com paredes iluminadas, dá uma pista de que o arquiteto ganha mais do que o chef.

 

A proposta inicial era ser um "dim sum teahouse". Oferecer variedade dos pequenos e artesanais "raviólis" chineses com a maior autenticidade possível.

 

O dim sum, "tocar o coração", em nosso idioma, tem para a China um peso semelhante ao do sushi para o Japão. Criado na época da Rota da Seda, por volta do século 10º, era servido nas casas de chá como cortesia aos mercadores que paravam para descansar.

 

Segundo uma lenda, teria sido criado para que o imperador pudesse provar todas as comidas do império. O dim sum varia conforme a região, em nome, recheio, massa e preparo. Shu mai tem carne de porco e cogumelos; har gau, de camarão, broto de bambu e cebolinha; cheung fun, char sui bun, congee, são outras variações. Podem ser cozidos no vapor ou fritos.

 

A partir da tradição, o Yauatcha busca agradar ao gosto ocidental, até chegar aos preparos com a wok (a frigideira típica chinesa), as massas fritas e os excelentes pratos de "chinese greens", como os baby pak shoi e a gai lan, ambos preparados com alho, gengibre e molho de ostras. Na saída, compre os macarons - eles dão de dez a zero nas bananinhas carameladas.

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