Mídia alimenta discussão nas redes sociais

Quando o tema são terapias revolucionárias, a opinião pública costuma se comportar como a superfície de um lago. Um fato novo é como a pedra arremessada na água: forma círculos concêntricos cada vez maiores. TVs, jornais e revistas normalmente ocupam o primeiro círculo. As redes sociais, os últimos. Quem trabalha com os pacientes sabe bem como a onda se propaga.

Alexandre Gonçalves, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2011 | 00h00

A presidente da Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta), Merula Steagall, recorda quando o Estado publicou uma reportagem sobre terapia gênica para tratar a doença, no dia 16/09/2010. A notícia, baseada em um artigo na Nature, descrevia a cura de um francês de 21 anos tratado com vetores virais que corrigiam o gene defeituoso. A reportagem apontava que seriam necessários mais testes.

"Depois da matéria, muitos pacientes e familiares entraram em contato com a associação para saber mais detalhes do tratamento", afirma Merula. Para oferecer informações adicionais aos interessados, ela sugeriu a inclusão de um artigo sobre o caminho da cura para a talassemia na Revista da Abrale, publicação que também é entregue aos associados da Abrasta.

Claudia Jurberg, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estuda o tratamento que a mídia concede ao câncer no noticiário. Ela identifica, por exemplo, uma diminuição do tabu relacionado à cura. Em um estudo científico de 2006, que analisou duas centenas de artigos publicados em 54 jornais, ela mostrou que apenas 6,3% dos textos mencionavam a possibilidade de cura. Dados mais recentes de 2010, ainda não publicados, apontam um amadurecimento significativo da cobertura midiática: o mesmo porcentual chegou a 14,5%.

"O tabu da cura talvez surgisse do medo da imprensa de alimentar falsas esperanças", opina Claudia. Ela recorda que as análises também apontavam um desaparecimento de notícias relacionadas ao câncer nos fins de semana e nas festas de fim de ano. Uma tendência que também está mudando, indício de que a mídia começou a contribuir para que a percepção pública da doença se torne mais realista e menos trágica.

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