Milhares de mulheres vão às ruas no Iêmen pedir a saída de Saleh

Milhares de mulheres iemenitas protestaram em Sanaa e em outras cidades, no sábado, enfurecidas com as observações do presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, de que o Islã desaprova que mulheres participem ao lado dos homens nas manifestações que visam derrubá-lo do poder.

MOHAMMED GHOBARI, REUTERS

16 de abril de 2011 | 12h07

As mulheres, muitas em trajes islâmicos pretos com véu, disseram que seu papel nos protestos é religiosamente correto e pediram que o presidente renuncie, atendendo ao desejo popular expresso em quase três meses de manifestações.

"Parece que o presidente Saleh fracassou em todos os seus esforços para empregar tribos e forças de segurança para atacar aqueles que pedem a sua saída e, por isso, recorreu ao uso da religião, sobretudo depois que viu que milhares de mulheres estavam participando dos protestos," disse Samia al-Aghbari, líder no movimento de protesto.

Saleh, que advertiu que há riscos de uma guerra civil e de separação do Iêmen caso ele seja forçado a deixar o poder sem uma transição ordenada, pediu à oposição, na sexta-feira, que reconsiderasse o convite para participar de negociações para resolver a crise.

Mas ele também adotou um tom desafiador, chamando a oposição de mentirosa e bandida, e apelando para a sensibilidade religiosa no país muçulmano conservador, criticando a convivência de homens e mulheres que não são parentes entre os manifestantes em Sanaa.

Cerca de 5.000 mulheres protestaram contra ele em Sanaa, no sábado, com números similares na cidade industrial de Taiz, no sul da capital. Os protestos anti-Saleh tiveram o apoio da principal coalizão de oposição, que inclui a esquerda, mas cujo principal membro é o partido islâmico Islah.

"Ó juventude, a honra das mulheres vem sendo difamada," as mulheres gritavam, referindo-se às observações de Saleh.

Algumas mulheres trouxeram suas filhas para os protestos. Uma delas exibia a cara pintada com a imagem da bandeira do Iêmen cercada por um coração na bochecha e a palavra "saia" escrita na testa.

"Se Saleh lesse o Alcorão, não teria feito essa acusação," disse uma manifestante, que se identificou apenas como Majda. "Pedimos que ele seja julgado de acordo com a lei islâmica."

A Arábia Saudita e outros aliados ocidentais do Iêmen temem que um impasse prolongado possa inflamar os confrontos entre unidades militares rivais e causar o caos, o que beneficiaria a facção da Al Qaeda que opera na região montanhosa pobre da Península Árabe.

Mais conteúdo sobre:
IEMENMULHERES*

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.