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Milhares participam de protesto em funerais no Barein

Milhares de xiitas participaram nesta sexta-feira do enterro de três dos mortos na repressão policial aos protestos desta semana contra a monarquia sunita do Barein.

CYNTHIA JOHNSTON E FREDERIK RICHTER, REUTERS

18 de fevereiro de 2011 | 08h59

Quatro manifestantes foram mortos na quinta-feira quando a tropa de choque da polícia desmantelou um acampamento que havia se formado na praça Pérola, em Manama, a capital. Mais de 230 pessoas ficaram feridas, e dezenas foram presas.

Os manifestantes pretendiam transformar a praça Pérola numa versão local da praça Tahrir, do Cairo, epicentro da revolução que derrubou o presidente Hosni Mubarak há uma semana.

Os xiitas formam 70 por cento da população do Barein, e se dizem discriminados no acesso a moradias, saúde, educação e empregos públicos.

Com gritos contra o regime sunita, milhares deles participaram das procissões fúnebres de três dos mortos na aldeia de Sitra, ao sul da capital.

Dentro de uma mesquita, homens lavavam o corpo do estudante Mahmoud Abu Taki, 22 anos, cujo ombro foi salpicado por balas de chumbo.

"Antes de ir lá ele me disse: 'Não se preocupe, pai, eu quero liberdade'", disse o pai dele, Mekki Abu Taki, 53 anos.

"Este é um governo fracassado", afirmou Abu Taki, gerente de uma imobiliária. "É claro que os protestos vão continuar. O governo daqui é como gente da selva."

Os corpos do filho dele e de Ali Mansour Khudeir, 58 anos, foram então envolvidos nas bandeiras vermelhas e brancas do Barein e colocados sobre dois veículos que percorreram as ruas lentamente.

"Julgamento para a quadrilha", gritavam os participantes da procissão. "Justiça, liberdade e monarquia constitucional", entoavam outros. Alguns ensaiaram um grito de "morte à (dinastia) Al Khalifa", mas sem sucesso.

Não havia presença policial ostensiva em Sitra, mas helicópteros sobrevoavam a região. Na terça-feira, um homem havia sido morto em outro enterro, de um manifestante assassinado na véspera.

O Barein é um país fortemente aliado dos Estados Unidos e da Arábia Saudita, que o veem como um baluarte contra o regime xiita do Irã. O país também tem um importante setor financeiro e é sede da Quinta Frota Naval dos EUA, o que projeta o poderio norte-americano por todo o Oriente Médio e Ásia Central, inclusive Iraque e Afeganistão.

A secretária norte-americana de Estado, Hillary Clinton, pediu na quinta-feira ao Barein que tenha comedimento no uso da força e mantenha sua promessa de punir os responsáveis por abusos.

O chanceler barenita, xeque Khaled bin Ahmed al Khalifa, argumentou que a ação policial foi necessária "porque o país estava "à beira de um abismo sectário".

Mas Hassan Radi, 64 anos, advogado em Sitra, contestou isso. "Ninguém quer ser sectário, mas o povo é forçado a isso quando sofre discriminação. Sem empregos, sem respeito, isso é óbvio", afirmou ele, em frente à mesquita. "O que eles estão exigindo é (...) um Estado moderno, com uma Constituição democrática real, que assegura seus direitos e igualdade."

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