Milho ganha novo espaçamento

Distância menor entre as linhas de cultivo e maior entre as plantas reduz custos e deixa a lavoura mais arejada e produtiva

Niza Souza, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2008 | 01h41

O desenvolvimento de novos híbridos de milho, com plantas mais eretas e folhas menos expandidas, está tornando viável a redução do espaçamento, de 90 para 45 centímetros, entre as linhas de plantio em São Paulo. Na região de Itapeva, maior produtora paulista do grão, produtores já vêm reduzindo o espaço entre as linhas. Hoje, a maioria usa espaçamento de 75 centímetros. E muitos já estão se preparando para reduzir mais ainda o espaçamento na próxima safra, que começa a ser plantada em setembro.A princípio, o que muda é apenas a disposição das plantas. ''O número de plantas por hectare continua o mesmo. Fazemos apenas um rearranjo da lavoura, de forma que as plantas fiquem mais arejadas'', explica o agrônomo Vandir Daniel da Silva, da Casa da Agricultura de Itapeva.MAIS LINHAS DE PLANTIOCom a entrelinha de 90 centímetros, 1 hectare comporta 12.500 metros lineares de plantio. Para o plantio de 70 mil sementes/hectare, seriam necessárias quase 7 plantas/metro linear. Com a redução do espaço entre as linhas, 1 hectare passa a comportar 20 mil metros de linha de plantio. Na linha, porém, a distância entre as plantas é aumentada, pois passam-se a cultivar 5 plantas por metro linear, utilizando-se as mesmas 70 mil sementes. ''Reduzimos em 37% a quantidade de plantas na mesma linha'', diz o agrônomo da Agroceres, Pelerson Schiavuzzo.Mesmo com a mesma quantidade de plantas por hectare, os testes mostraram que há incremento de 8% a 10% na produtividade, ''pois as plantas ficam mais arejadas e recebem mais luminosidade'', diz Silva.Outro fator importante, ressalta o agrônomo, é que, com o adensamento, o fechamento das entrelinhas ocorre mais rápido, sombreando o solo. ''Isso inibe a germinação de plantas invasoras e ervas daninhas nos corredores. São esses matos que roubam os nutrientes da planta. Sem elas, não há a competição do mato.''Depois que o produtor dominar bem a técnica do novo espaçamento, a idéia é a de que ele comece a aumentar a população de plantas por hectare, principalmente em áreas irrigadas. ''O problema de aumentar muito a quantidade de plantas é que elas competem e pode faltar água'', alerta.MAQUINÁRIOAlém de melhorar a produtividade da lavoura, outra vantagem da nova técnica é a possibilidade de aproveitar o mesmo maquinário usado no plantio da soja, sem a necessidade de adaptá-lo. ''Como a maioria dos produtores que planta milho também planta soja, é uma grande vantagem, porque elimina a necessidade de mexer na plataforma, principalmente da plantadeira.''O produtor Maurício Fernandes Dias, da Fazenda Capituva, também em Taquarivaí, planta 1.300 hectares de milho e 1.300 hectares de soja por safra. Ele aproveitou a troca de maquinário no ano passado, comprou a plataforma da colhedora para o novo espaçamento e adotou a técnica em 100% da lavoura. Reduziu as ruas entre as linhas de plantio de 80 para 45 centímetros e conseguiu melhorar a produtividade em 7%.''Mas ainda estou acertando a população. Plantei 72 mil plantas por hectare, mas creio que poderia ter trabalho com 76 mil plantas/hectare'', disse o produtor durante dia de campo realizado na Fazenda São Paulo, em Taquarivaí, onde a técnica foi apresentada para produtores da região. A meta, estima Dias, é aumentar a produção de 160 sacas por hectare para 180 sacas por hectare. Outra vantagem importante, confirma o produtor, é o melhor aproveitamento do maquinário.Resultados positivos, como o da fazenda Capituva, incentivaram o produtor Renato Nunes, da Fazenda Marcolino, em Capão Bonito (SP), a adotar a técnica. ''Faz um ano que estou me programando para reduzir o espaçamento. Só de não precisar mexer nas plantadeiras já compensa. A princípio vou alugar a colhedora, mas pretendo investir em novo maquinário em breve'', planeja.INFORMAÇÕES: C.A. de Itapeva, tel. (0--15) 3522-0177

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.