Milícia teria invadido casa de programa habitacional

Todos os empreendimentos imobiliários do programa "Minha Casa, Minha Vida" do governo federal construídos para atender a população carente na zona oeste do Rio de Janeiro estão sob assédio de grupos de milicianos que atuam no local. A constatação é do secretário municipal de Habitação, Jorge Bittar, responsável pelos processos de reassentamento. Ele acusa a Polícia Militar do Rio de ser conivente com a atuação dos paramilitares.

ALFREDO JUNQUEIRA, Agência Estado

14 de abril de 2011 | 19h32

Com 262 unidades, o Condomínio Ferrara, em Campo Grande, já foi dominado pela milícia. Apartamentos foram invadidos por pessoas ligadas aos paramilitares e os moradores regulares estão sendo obrigados a pagar taxas de segurança mensais de R$ 40. A Pastoral das Favelas encaminhou denúncia a Bittar de que duas pessoas que se recusaram a pagar a mensalidade desapareceram.

No fim de fevereiro, a Secretaria de Habitação e representantes da Caixa Econômica Federal, proprietária do empreendimento, fizeram uma fiscalização no local - com apoio da PM e de agentes da Polícia Federal. De acordo com Bittar, das 262 unidades, 143 haviam sido invadidas.

"O que nós esperávamos era que, ato contínuo, a própria Secretaria de Segurança e a PM fossem resolver aquela situação", afirmou Bittar. "Mas nós notamos que, infelizmente, há uma visão no mínimo corporativa da própria PM, que acaba sendo conivente com essas práticas criminosas. Na minha opinião, há até policiais da ativa que de alguma maneira se ligam a essas ações e nós temos então um quadro muito grave da região", acusou o secretário.

Além do condomínio Ferrara, o "Programa Minha Casa, Minha Vida" tem outros 10 empreendimentos na região, totalizando 2.709 unidades habitacionais. A maior parte destinada para famílias vítimas das enchentes que afetaram o Rio no ano passado e moradores de locais considerados de risco nas favelas da cidade.

Outro lado

Em nota conjunta, a Secretaria de Segurança e a PM confirmaram que policiais deram apoio à operação de fiscalização no Condomínio Ferrara e que o corregedor da corporação, coronel Ronaldo Menezes, e o chefe do Estado-Maior Operacional, coronel Álvaro Garcia, participaram de reuniões na Secretaria Municipal de Habitação. "A corregedoria foi ao local acompanhando e não constatou a presença de policiais militares praticando crimes ou formando quadrilhas", assinala a nota.

A Secretaria de Segurança enviou novo texto informando que o batalhão local da PM (40º BPM) aumentou o efetivo de policiais no entorno do Condomínio Ferrara e que a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (DRACO) já tem investigações em andamento contra grupos de milicianos que atuam no bairro em que está localizado o conjunto habitacional.

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