Militares egípcios tentam restaurar estabilidade

O Exército egípcio se prepara nesta terça-feira para tomar medidas pela restauração da estabilidade no país, com a esperança de que sua promessa de uma rápida transição para um regime civil leve ao final dos protestos ainda existentes desde a queda do ditador Hosni Mubarak.

YASMINE SALEH E PETER MILLERSHI, REUTERS

15 de fevereiro de 2011 | 09h01

Agora, diante de uma onda de manifestações de trabalhadores - de bancários a guias turísticos - a junta militar pediu à população que volte ao trabalho para evitar mais danos à economia, afetada por 18 dias de rebelião contra Mubarak.

Uma violenta tempestade de areia no Cairo deve atrapalhar as manifestações nesta terça-feira, que é também um feriado nacional pelo aniversário do profeta Maomé. Por isso, a resposta ao apelo dos militares só deve ficar mais clara na quarta-feira.

Os militares também estão tendo conversas com líderes da rebelião, para lhes dar garantias sobre seu compromisso democrático. Mas ainda há descontentamento popular com a carestia, os baixos salários e outras dificuldades econômicas.

A revolução que acabou com 30 anos da ditadura de Mubarak repercute em todo o Oriente Médio e também nos mercados financeiros globais, preocupados com seus efeitos sobre o fornecimento de petróleo.

Os líderes do movimento pró-democracia no Egito dizem que a população voltará às manifestações caso suas reivindicações de mudanças radicais não sejam atendidas. Eles planejam uma grande "Marcha da Vitória" na sexta-feira, para celebrar a revolução e talvez lembrar aos militares sobre a força das ruas.

PRAÇA TAHRIR

Na praça Tahrir, que foi o epicentro da rebelião, o trânsito fluía livremente nesta terça-feira, orientado por policiais militares, enquanto dois veículos queimados durante os distúrbios eram retirados.

Houve confrontos na segunda-feira quando os últimos manifestantes acampados na praça eram removidos pelos soldados.

No "Comunicado N. 5", lido na segunda-feira na TV estatal, um porta-voz da junta militar disse: "Nobres egípcios, vejam que essas greves, neste momento delicado, levam a resultados negativos."

Os militares prometeram eleições livres e limpas, suspenderam a Constituição e dissolveram o Parlamento, desmantelando assim o aparato que manteve Mubarak no poder desde que ele substituiu Anwar Sadat, assassinado por militantes islâmicos do Exército em 1981.

Wael Ghonim, executivo do Google que passou duas semanas detido por sua participação na rebelião, disse ter ouvido de membros da junta militar que dentro de dois meses será realizado um referendo sobre reformas constitucionais atualmente em preparação.

Na segunda-feira, a cúpula militar nomeou o jurista Tareq al Bishry para comandar a comissão encarregada de preparar as emendas.

Mas os militares não deram prazo para as eleições, além de dizerem que ficarão no poder "por um período temporário de seis meses, ou até o final das eleições para as Câmaras Alta e Baixa do Parlamento, e eleições presidenciais".

Alguns manifestaram receios com o caráter impreciso desses prazos.

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