Militares sírios atacam cidade perto de Damasco; 60 morrem

Tropas e tanques atacaram nesta quinta-feira uma turbulenta cidade próxima a Damasco, em mais um capítulo da guerra civil que opõe o governo de Bashar al-Assad a rebeldes que tentam derrubá-los.

KHALED YACOUB OWEIS, Reuters

23 de agosto de 2012 | 10h25

A localidade sunita de Daraya passou 24 horas sob o fogo de tanques e helicópteros, período em que 15 pessoas morreram e 150 ficaram feridas. Depois disso, os soldados entraram na cidade e ocuparam casas, segundo fontes da oposição.

Houve pouca resistência no centro de Daraya, que fica na periferia sudoeste de Damasco. Ativistas na capital disseram que rebeldes armados provavelmente já haviam deixado a área ocupada pelo Exército.

"Eles estão usando morteiros para limpar cada setor. Aí eles entram, avançando rumo ao centro", disse o ativista Abu Zaid, falando por telefone de um ponto nos arredores de Daraya.

Outros ativistas disseram que o Exército também bombardeava a cidade a partir do monte Qasioun e de um quartel da Guarda Republicana que fica próximo ao palácio presidencial, também num ponto elevado.

"Durante cerca de uma hora escutamos explosões e tiros. Não foi tão ruim quanto ontem, mas as tensões estão realmente elevadas", disse à Reuters o ativista de oposição Samir al Shami, em Damasco.

Na manhã de quinta-feira, as forças de Assad também ocuparam o bairro de Kafr Souseh, na zona sudeste da capital, e prenderam pessoas, segundo outro ativista.

Imagens colocadas no site YouTube mostraram o funeral de uma mulher e seus cinco filhos mortos, segundo ativistas, por bombardeios em Daraya. Eles disseram que antes de ser morta a família havia fugido da ofensiva do governo em outro subúrbio de Damasco, Mouadamiya.

Os corpos estavam envoltos em lençóis brancos, com os rostos das crianças expostos. Participantes do funeral gritaram que "Assad é o inimigo de Alá".

Adversários de Assad disseram que 86 pessoas foram mortas --sendo mais de 40 a sangue frio-- na ofensiva governamental de segunda e terça-feira em Mouadamiya.

É difícil verificar as informações devido às restrições impostas pelo governo ao trabalho da imprensa independente. Líderes sírios dizem estar enfrentando "terroristas armados" e apoiados por governos ocidentais e de países árabes do golfo Pérsico.

A ONU estima que mais de 18 mil pessoas tenham morrido na Síria desde o início da repressão aos protestos contra Assad, em março de 2011.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos, ligado à oposição, disse ter contabilizado mais 60 mortes nesta quinta-feira, incluindo 48 civis. Na quarta-feira, a entidade, com sede na Grã-Bretanha, disse terem sido 200 mortes, sendo 129 de civis.

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