Minc comanda ação contra madeireiros após saque no Pará

O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, comandou pessoalmente na quinta-feira uma operação contra madeireiras ilegais na Amazônia, numa demonstração de força depois que um grupo invadiu um depósito do governo e levou madeira apreendida. Minc lacrou duas serrarias em Paragominas (PA) e apreendeu 3.000 metros cúbicos de madeiras nobres, o que seria suficiente para encher cerca de 150 caminhões. Ele estava acompanhado de agentes da Polícia Federal e do Ibama. O governo vem tentando cortar pela raiz o comércio ilegal de madeira, que envolve dezenas de milhares de madeireiros e fazendeiros e atende a milhões de clientes no Brasil e no exterior. No domingo, um grupo saqueou o escritório do Ibama em Paragominas, ateou fogo à garagem, roubou caminhões com madeira confiscada e usou um trator para derrubar a porta do hotel onde agentes do governo se hospedam. A madeira roubada ainda não foi recuperada. "Esses atos não ficarão impunes. Tudo está apreendido e os criminosos ambientais serão punidos", prometeu Minc, depois de visitar as serrarias onde havia troncos derrubados ilegalmente, escondidos no meio da floresta. O ministro impôs uma multa de 1,3 milhão de reais ao dono da propriedade, que comprou os troncos de uma reserva indígena próxima dali, onde é proibida a extração de madeira. "Eles pagam para que os índios retirem a madeira", disse à Reuters Francisco Antonio da Silva, secretário municipal em Paragominas. "Infelizmente, ainda há madeireiros que não obedecem à lei, mas são minoria." A taxa de desmatamento se desacelerou nos últimos anos, mas ainda há enormes pedaços da Amazônia sendo devastados a cada ano. Desde que assumiu o cargo, em maio, Minc intensificou a repressão a pecuaristas e plantadores de soja que avançam sobre a Amazônia, e também assinou acordos com frigoríficos e serrarias para que não comprem carne e madeira de áreas devastadas ilegalmente. Críticos dizem, porém, que o Ibama não tem verbas e pessoal suficientes, e que o governo também tem participação na destruição da Amazônia, por meio de grandes projetos de infra-estrutura, como hidrelétricas. O governo anuncia na sexta-feira a taxa anual de desmatamento da Amazônia.

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