Minc e PF acertam reforço contra desmatamento

O governo federal incluirá o Exército e a Polícia Rodoviária Federal na terceira fase da Operação Arco de Fogo, que começa este mês e se estenderá até setembro, período mais propício ao desmatamento ilegal da Amazônia, em razão do fim da estação das chuvas. O reforço da operação, desencadeada desde março, foi acertado pelo ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, com o diretor-geral da Polícia Federal, delegado Luiz Fernando Corrêa. "Vamos radicalizar para alcançar melhores resultados", disse o ministro em entrevista, ao final da reunião.O Exército dará apoio logístico no deslocamento de equipes, na apreensão e transporte de madeira apreendida. A Polícia Rodoviária ajudará no bloqueio terrestre dos entroncamentos e no controle das principais vias de circulação de madeira extraída ilegalmente da floresta. O cerco começa imediatamente e envolverá ações de repressão ao transporte de madeira ilegal por terra e rios. As ações terão suporte de helicópteros e aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) no monitoramento aéreo.Na próxima quarta-feira, Minc definirá com os ministro da Justiça, Tarso Genro, e da Defesa, Nelson Jobim, os detalhes e a logística da participação da PRF e do Exército nas ações, incluído aí o efetivo a ser empregado, caminhões, viaturas e equipamentos próprios para emprego em região de selva, além dos recursos necessários. A PF, que já tem 300 homens atuando em caráter permanente na operação, deverá deslocar entre 500 e 700 mais, incluindo peritos para reforçar a produção de provas contra criminosos ambientais.Até agora, a PF prendeu mais de 170 pessoas em quatro operações realizadas desde fevereiro, incluindo a Arco de Fogo, de repressão a crimes ambientais e corrupção em órgãos públicos - estaduais e federais - que deveriam proteger a floresta, mas acabam favorecendo as quadrilhas. "Vamos intensificar as prisões, mas com a preocupação de produzir provas robustas e inquestionáveis", disse o delegado Corrêa.Minc disse que, nessa fase, o governo vai colocar em prática com rigor o decreto 6321, editado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do ano, que suspende a venda de produtos, como gado, soja e madeira, obtidos em áreas desmatadas ou ocupadas irregularmente. O decreto também permite cancelamento de registro de produtores e agrega as várias instâncias fiscais e repressivas do Estado no combate às quadrilhas. "Não vai haver colher de chá para criminosos ambientais", avisou o ministro.

VANNILDO MENDES, Agencia Estado

06 de junho de 2008 | 18h56

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