Mineradora sul-africana de platina ameaça demitir grevistas

Os mineiros em greve na empresa Lonmin, terceira maior produtora mundial de platina, poderão ser demitidos se não retornarem ao trabalho na segunda-feira, disse um porta-voz da companhia.

POT JON HERSKOVITZ, Reuters

19 de agosto de 2012 | 13h03

Em uma semana de violência relacionada à paralisação, 44 trabalhadores morreram na mina sul-africana.

Na semana passada, 34 pessoas foram mortas a tiros pela polícia, num movimento contra 3 mil trabalhadores em greve e armados com machetes, lanças e pistolas, acampados em uma colina na mina de Marikana, da Lonmin, situada cerca de 100 quilômetros a noroeste de Johanesburgo.

"O ultimato final foi prorrogado para segunda-feira", disse a porta-voz Gillian Findlay neste domingo. "Os empregados poderão ser demitidos se não atenderem ao ultimato final", acrescentou.

A Lonmin, cuja sede fica em Londres, responde por 12 por cento da produção mundial de platina. A empresa vem enfrentando a queda dos preços e fraca demanda, e ainda pode não atingir sua meta de produção de 750 mil onças de platina, já que o trimestre que se encerra em setembro normalmente costuma ser o melhor.

A greve foi deflagrada por uma disputa de poder entre duas associações sindicais, a União Nacional dos Mineiros (NUM, na sigla em inglês) e o Sindicato da Associação dos Mineiros e Trabalhadores na Construção, que acusa seu rival de se preocupar mais com política do que com as pessoas que trabalham nas minas.

O NUM tem sido um celeiro de dirigentes para o governista partido Congresso Nacional Africano e um de seus ex-líderes sindicais é agora membro do conselho da Lonmin, como diretor sem poder executivo.

Antes de a polícia abrir fogo contra os grevistas, dez mineiros haviam morrido, incluindo um integrante do NUM.

O secretário-geral do NUM, Frans Baleni, disse em um programa nacional de entrevistas neste domingo que não sabe com certeza se os mineiros voltarão ao trabalho.

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