João Alvarez/Agência A Tarde-14/1/2008
João Alvarez/Agência A Tarde-14/1/2008

Ministério da Saúde emite alerta após registro de casos de difteria no País

Saúde. Número de doentes está em queda nos últimos anos, mas em 2010 já houve 27 casos, com 6 mortes - todas no Maranhão. Em 2009 foram 6 registros, sem óbitos. Pasta afirma que perfil da doença está mudando, assim como a faixa etária de ocorrência

Fabiane Leite, O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2010 | 00h00

O Ministério da Saúde alertou ontem para a necessidade de melhora na identificação, notificação e diagnóstico da difteria. A doença, de transmissível aguda, é causada por bactéria que se aloja nas amídalas, faringe, laringe e nariz e pode ser prevenida com vacina disponível no Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta também reforçou a importância da imunização na infância e adolescência e dos reforços das doses ao longo de toda a vida.

De acordo com o ministério, o número de casos registra tendência de queda nos últimos anos, por causa das altas coberturas vacinais. Neste ano, porém, foram registrados 27 doentes, com 6 mortes, todas no Maranhão - Estado onde cerca de 32% das cidades registram menos de 95% de cobertura vacinal, patamar considerado ideal, segundo a pasta. No ano passado, apenas seis casos tinham sido registrados, sem nenhum óbito. Em 1990, o País chegou a ter 640 casos. Segundo nota técnica do ministério, "apesar da intensificação das ações de vacinação, a difteria permanece ocorrendo em diversos países do mundo (...) incluindo o Brasil".

A pasta destacou que neste ano a maioria dos casos tem sido causada pelo tipo intermedius da bactéria, que, segundo infectologistas ouvidos, é considerado o mais invasivo.

Ainda segundo informações do ministério, tem ocorrido mudança no perfil clínico-epidemiológico da doença, como quadros em que há ausência da formação de um tipo de membrana na garganta que caracteriza a difteria e registros de endocardite (infecção que atinge o coração), pneumonias e osteomielite (infecção óssea).

Além disso, a faixa etária de ocorrência dos casos tem se deslocado da infância para a idade adulta.

Vacina. A vacina contra a difteria na infância compõe o imunizante chamado DPT, que protege também contra coqueluche e tétano. Segundo calendário de vacinação da criança do SUS, ela deve ser aplicada em três doses, com dois reforços, a partir dos 2 meses de idade, com a última aplicação até os 6 anos. Na adolescência (a partir dos 11 anos) são necessárias outras três doses. E, depois, reforços a cada dez anos, por toda a vida, usando uma vacina que é conjugada com a do tétano e deve ser tomada na mesma frequência.

"O problema é que todo mundo esquece. Os médicos também. E isso ocorre no mundo inteiro", afirmou o infectologista Arthur Timmerman, do Hospital Heliópolis. "Em crianças, a placa que se forma na garganta em razão das toxinas produzidas pela bactéria pode levar ao sufocamento. No adulto é diferente. Pode haver até mesmo comprometimento ósseo e cardíaco", afirmou o especialista. "A vacina está disponível, é baratíssima, muito simples. Para mim é uma falta grave o registro de um caso de difteria."

"É preciso verificar a faixa etária dos casos, se houve vacinação dessas pessoas e se a vacina era boa e estava bem armazenada", disse a infectologista Marinella Della Negra, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.

A reportagem contatou o secretário da Saúde do Maranhão, José Soares Leite, em sua casa no fim noite de ontem. Ele informou desconhecer os casos e disse que verificaria a situação.

Em nota, o ministério destacou que há vacina suficiente e disse ter informado as secretarias da saúde em agosto sobre o problema. A pasta não respondeu ontem sobre possível estratégia de reforço da vacinação no País.

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