Ministério Público move ação contra Rede TV! pelo caso Eloá

Emissora transmitiu uma entrevista ao vivo com Lindemberg enquanto ele mantinha a ex-namorada refém

Solange Spigliatti, do estadao.com.br,

02 Dezembro 2008 | 13h23

O Ministério Público Federal de São Paulo entrou com uma ação nesta segunda-feira, 1º, contra a Rede TV! por uma entrevista feita com a adolescente Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, e Lindemberg Alves, de 22 anos, e quer uma indenização de R$ 1,5 milhão para a sociedade por utilizar imagem da menor sem autorização judicial e transformar em espetáculo midiático o seqüestro da jovem. Eloá acabou assassinada pelo ex-namorado. Questionada, a emissora afirmou que ainda não foi informada da ação, mas que considera o ato uma "forma velada de censura".   Veja também: Ouça entrevista com a procuradora Perguntas e respostas sobre o caso Eloá  Especial: 100 horas de tragédia no ABC   Mãe de Eloá diz que perdoa Lindemberg  Imagens da negociação com Lindemberg I  Imagens da negociação com Lindemberg II  Especialistas falam sobre o seqüestro no ABC Galeria de fotos com imagens do seqüestro  Todas as notícias sobre o caso Eloá          A ação civil pública é por danos morais coletivos de R$ 1,5 milhão, equivalente a 1% do faturamento bruto anual da emissora, ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos. Durante o seqüestro, a emissora entrevistou a refém e o seqüestrador. A emissora também afirmou que assim que for notificada da ação vai se manifestar. No entanto, declarou que sempre vai defendar "a liberdade de expressão e o não cerceamento do jornalismo de informar os telespectadores".   Em entrevista ao estadao.com.br, a procuradora Adriana Fernandes, autora do pedido, afirmou que a liberdade de expressão não é absoluta e que, neste caso, deveria ter sido respeitado o fato de uma menor estar envolvida. "Na entrevista a repórter se colocou como intermediadora, colocando em risco de vida a menor e outras pessoas envolvidas na ação", disse.   O programa A Tarde é Sua, com apresentação de Sônia Abrão, exibiu duas entrevistas, uma ao vivo e outra gravada, com Eloá e Lindemberg, interferindo na atividade policial em curso e colocando a vida da adolescente e dos envolvidos na operação em risco, segundo MPF.   A procuradora também afirmou que, a partir do pedido, cabe ao poder Judiciário decidir se houve ou não abuso. Além disso, Adriana pediu à União a intimação de representantes da emissora, já que os serviços de rádio e televisão são concessões públicas.   Texto alterado às 18h20 para acréscimo de informações.   (Com informações de Mônica Aquino, do estadao.com.br)

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