Ministra da Economia da Argentina renuncia em meio a escândalo

Felisa Miceli é investigada por bolsa de dinheiro encontrada no banheiro de seu gabinete.

Marcia Carmo, BBC

16 Julho 2007 | 19h48

A ministra da Economia da Argentina, Felisa Miceli, pediu demissão ao presidente Néstor Kirchner nesta segunda-feira. Miceli é investigada pela Justiça por uma bolsa de dinheiro encontrada no banheiro do seu gabinete, no mês passado. O presidente Néstor Kirchner ainda não confirmou de maneira oficial se aceita a renúncia da ministra. "Não quero prejudicar o presidente por uma bobagem que cometi", teria dito ao entregar sua demissão ao chefe de gabinete da Presidência, Alberto Fernández. Os problemas de Miceli começaram quando o jornal Perfil publicou a notícia de que bombeiros haviam encontrado, em um trabalho de rotina no gabinete da ministra, uma bolsa com cerca de US$ 240 mil (entre pesos, euros e dólares). Em diferentes emissoras de rádio, Miceli afirmou que, na verdade, tinha deixado cerca de US$ 65 mil no banheiro e que o dinheiro seria usado na compra de um imóvel. A Justiça começou a investigar o caso, pediu explicações à ministra e realizou uma batida no armário do banheiro onde a bolsa foi encontrada e no Banco Central. O dinheiro tinha uma fita de papel da autoridade monetária, o que, para a oposição, provava que a ministra poderia não estar dizendo a verdade ao argumentar que o dinheiro havia sido emprestado por um irmão, Horacio - agora, também na mira dos investigadores. Parlamentares da oposição cobravam ainda nesta semana um depoimento de Miceli no Congresso Nacional, no caso que foi batizado pelos argentinos de "banheiro-gate" e "bolsa-gate". Os mesmos parlamentares também pedem explicações à secretária de Meio Ambiente, Romina Picolotti, acusada em uma reportagem do jornal Clarin de contratar familiares, usar aviões privados e outras irregularidades. Nos dois casos, de Miceli e Picolotti, o governo acusava os adversários políticos e a imprensa de "conspiração", como afirmou Fernández, na semana passada. A demissão da ministra foi confirmada oficialmente pela assessoria de Miceli no Ministério da Economia no final da tarde desta segunda-feira. A saída de Miceli ocorre a pouco mais de três meses das eleições presidenciais, marcadas para o dia 28 de outubro. A expectativa é de que o presidente anuncie nas próximas horas o nome do substituto da ministra, mas, segundo analistas, a política econômica não deverá ser alterada. Desde a saída do ex-ministro da Economia, Roberto Lavagna, em 2005, analistas do mercado e assessores do governo afirmam que o "verdadeiro ministro" é o presidente. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.