Ministra divulga editais de R$ 10 mi para artistas afrodescendentes

Além dos incentivos para a produção de livros, peças e vídeos, Marta Suplicy anunciou criação de museu em Brasília

CAMILA MOLINA, O Estado de S.Paulo

21 de novembro de 2012 | 02h05

Considerada a primeira ação afirmativa do Ministério da Cultura (MinC) voltada a artistas e produtores negros, a ministra Marta Suplicy lançou ontem, no Museu Afro Brasil, cinco editais dedicados ao grupo étnico que representa 52% da população brasileira, segundo o IBGE.

Criados por meio da Secretaria do Audiovisual, Fundação Nacional de Artes (Funarte) e Fundação Biblioteca Nacional, os programas terão custo de cerca de R$ 10 milhões do orçamento federal, calcula a ministra. "Não temos o nosso Spike Lee, mas ainda vamos ter", brincou Marta, referindo-se ao premiado cineasta negro norte-americano.

Tanto Marta Suplicy quanto a ministra chefe da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luiza Bairros, reforçaram ser o lançamento dos editais apenas o primeiro passo de uma política mais ampla de inclusão social no âmbito da cultura a partir de análises de patrocínios via Lei Rouanet.

"As empresas (patrocinadores) dizem que o ministério deve ser responsável pela política pública", afirmou Luiza Bairros. "A área da cultura é a da identidade brasileira e uma de suas partes mais fortes veio da cultura africana", completou.

O edital de menor envergadura, da Secretaria do Audiovisual, é o de apoio a curtas-metragens realizados por criadores negros. Serão contempladas seis obras cinematográficas, documentais ou ficcionais, com R$ 100 mil cada. Já o Prêmio Funarte Grande Otelo, em homenagem ao comediante, será dedicado a áreas diversas - artes visuais, música e artes cênicas - e terá montante geral de R$ 4,3 milhões.

O segmento da literatura pareceu ser o de mais alcance, com três editais desenvolvidos pela Fundação Biblioteca Nacional destinados a coedição de livros de autores negros; apoio a pesquisadores do grupo étnico; e aos pontos de leitura da cultura negra. "Na feira de Frankfurt teremos uma área especial para selos e obras de negros", contou Galeno Amorim, presidente da entidade.

Museu. Na ocasião do lançamento oficial dos editais, já anunciados anteriormente, Marta Suplicy aproveitou o Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra para assinar a Portaria 148/2012, que confere a criação e construção do Museu Nacional Afro-Brasileiro de Cultura em Brasília, projeto de 1998 que estava estagnado por falta de um terreno. A instituição, que terá como gestora a Fundação Cultural Palmares, vinculada ao MinC, vai ser dedicada à memória do tráfico negreiro.

"Ainda vamos buscar acervo", disse o presidente da Palmares, Eloi Ferreira de Araujo. A previsão é de que o museu fique pronto entre 2014 e 2016. "Temos que arrumar recursos com emendas. Brasília é o coração do Brasil e lá tem de estar essa história", disse Marta Suplicy.

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