Ministra Izabella será facilitadora de acordo climático em Paris

Grupos de trabalho são instaurados para facilitar as discussões em torno dos tópicos mais sensíveis

Andrei Netto, Giovana Girardi, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2015 | 13h51

A fim de destravar as negociações em torno de um acordo climático global, o presidente da 21ª Conferência do Clima da ONU, o chanceler francês Laurent Fabius, instaurou neste domingo, 6, quatro grupos de trabalho para facilitar as discussões em torno dos tópicos mais sensíveis entre os países.

São eles: meios de implementação (financiamento e transferência de tecnologia), diferenciação, ambição no longo prazo e aceleração das ações antes de 2020. Sobre esses pontos não houve acordos durante a primeira semana de conferência.

O grupo de diferenciação terá como “facilitadores” a ministra do Meio Ambiente do Brasil, Izabella Teixeira, e o ministro das Relações Exteriores de Cingapura, Vivian Balakrishnan, e a meta de resolver o tema mais controverso desta COP. Transversal, ele passa por mitigação, financiamento e transparência.

Izabella é assessorada nessa tarefa pelo embaixador do Brasil nos EUA, Luiz Alberto Figueiredo, que por anos chefiou a delegação brasileira nas negociações climáticas e é conhecido como hábil solucionador de problemas nos últimos minutos das conferências. 

No sábado, logo após a “nomeação”, a ministra disse que é natural que haja estresse, mas que se mantém otimista que um acordo será fechado. “Vai dar trabalho, tem de ter uma sofisticação da linguagem, soluções colocadas pela diplomacia, mas pelo que vejo todo mundo que está aqui quer um acordo. Mas não é um trabalho trivial de ser feito”, disse.

Um dos pontos mais polêmicos é o de finanças e a proposta de países ricos, tradicionalmente responsáveis por colocar dinheiro na mesa, de incluir nessa conta nações em desenvolvimento que estejam "em posição de fazê-los". Durante a semana, isso foi motivo de várias discussões. Izabella, já adotando um tom conciliador, disse que há maneiras de fazer esse aumento da base de doadores para finanças. “A China, por exemplo, deu mais de US$ 3 bilhões, em uma base sul-sul. Isso é voluntário. Nós mesmos fazemos isso no Fundo Amazônia. Esses arranjos não necessariamente vão deixar de existir. Ao contrário. Se deseja que se amplie essa participação. O que não pode achar é que ao fazer isso se determine obrigações para países que ainda não tem o mesmo peso de emissões, no tempo, que os países desenvolvidos têm."

Giovana Girardi viaja como fellow da Climate Change Media Partnership

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ONUMinistério do Meio Ambiente

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