Ministro italiano propõe proibir imigração por dois anos

Titular da pasta do Interior afirma que medida é necessária diante da crise; ação passaria a valer já em 2009

BBC Brasil, BBC

20 Novembro 2008 | 14h33

A proposta de fechar as fronteiras da Itália para a entrada de imigrantes por dois anos, defendida pelo partido de extrema-direita Liga Norte, ganhou o apoio oficial do ministro do Interior, Roberto Maroni. De acordo com Maroni, a medida seria necessária diante da situação econômica atual, classificada pelo ministro como "não brilhante."      "A moratória de dois anos do fluxo de imigrantes não é uma novidade", afirmou Maroni, durante discurso no Parlamento italiano na quarta-feira. "Em 2004, a Comissão Européia - por ocasião do ingresso de dez novos países à União Européia - deu essa permissão aos países membros."   "Também o pacto europeu sobre imigração e direito de asilo, recentemente aprovado, remete a uma regulamentação da imigração baseada em necessidades e capacidades de receber de cada Estado membro", acrescentou o ministro. A Liga Norte já foi acusada muitas vezes de ser xenófoba, racista e separatista. Maroni, que também é integrante do partido, disse que considera a iniciativa útil, mas o Senado ainda terá que decidir se aprova ou não a proposta.       Lei de segurança   A proposta de moratória à entrada de imigrantes pode ser discutida nos debates sobre uma nova lei de segurança no país. Caso seja aprovada, a Itália passaria a ser o primeiro país europeu a tomar uma medida extrema contra a imigração. De acordo com o ministro, a medida passaria a valer em 2009 e 2010, porque o plano de 170 mil ingressos para esse ano já está em vigor.       O partido do ministro do Interior também defende que seja incluída no projeto de lei sobre segurança a criação de "rondas" de cidadãos para controlar a ordem em nível local. "São cidadãos armados apenas de boa vontade, que cooperam com a polícia", declarou Maroni recentemente.     No entanto, setores católicos e até mesmo integrantes da maioria de centro-direita do governo já manifestaram oposição à proposta. "É uma idéia inquietante, de faroeste", disse o deputado Enrico Farinone, do Partido Democrático.       'Indigna'  Há alguns anos, a Liga Norte criou essas rondas com grupos de vizinhos, que passeiam todas as noites vestidos com camisetas verdes - as cores do partido - em cidades do norte da Itália, pedindo documentos e controlando a movimentação principalmente dos estrangeiros.  Já a Família Cristã, revista mais vendida na Itália, afirmou em editorial da sua última edição que a proposta de moratória é indigna de um Estado de direito. A Itália conta com quase 4 milhões de imigrantes regulares - o dobro do registrado seis anos atrás. De acordo com a Caritas, confederação de organizações humanitárias da Igreja Católica, eles produzem 9% do PIB.  A grande maioria é de romenos, albaneses e marroquinos. O Brasil aparece como a 23ª comunidade, com apenas 42.256 imigrantes regulares, de acordo com dados de 31 de dezembro de 2007. No entanto, o crescimento da imigração não é um assunto bem avaliado no país.   Pesquisa recente do jornal Corriere della Sera diz que 85% dos italianos são contrários à entrada de mais imigrantes. Mais de 60% consideram a presença dos estrangeiros um perigo para a segurança e 68% dizem acreditar que a maioria dos imigrantes é formada por "clandestinos."       BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Mais conteúdo sobre:
Itáliaimigração

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.