Minitúnel eleva produção de morango

Redução de área plantada não se refletiu em menor safra porque uso de estufa de plástico aumentou rendimento

Leandro Costa, O Estado de S.Paulo

28 Abril 2010 | 02h12

Mesmo com uma pequena redução da área de plantio, em torno de 3,5 %, a safra de morangos do Estado de Minas Gerais deve crescer este ano, segundo estimativas da Emater-MG. Conforme projeções da instituição, este ano devem ser colhidas ao todo cerca de 95 mil toneladas da fruta, um acréscimo de quase 12% em relação à colheita do ano passado, que foi de 85 mil toneladas.

O emprego cada vez maior de tecnologias nas lavouras é a principal explicação para esse aumento de produtividade, segundo o coordenador regional de Horticultura da Emater de Pouso Alegre, município ao sul de Minas Gerais que concentra a segunda maior área de cultivo da fruta no Estado, Raul Maria Cássia. Segundo ele, nos últimos anos, a quantidade de produtores que aderiu ao cultivo protegido do morango, ou seja, as plantas são cultivadas sob minitúneis de plástico, tem crescido e permitido que o volume de frutas produzido cresça, a despeito da diminuição das áreas plantadas.

"Em 2009, a área plantada foi de 1.700 hectares (3,6% inferior à de 2008) e isso não impediu o crescimento da safra, graças ao maior uso do plantio em túnel", afirma.

Conforme Cássia, a diferença de produtividade obtida entre quem cultiva os morangos ao ar livre e quem o faz pelo sistema de túneis é grande. Ele explica que ao passo que sob as miniestufas cada planta chega a produzir 1,5 quilo de morangos, o que significa uma produção de cerca de 70 toneladas por hectare, no método convencional esse número não ultrapassa as 30 toneladas/hectare.

Além disso, o cultivo protegido também permite o alongamento do período de colheita, conforme explica o especialista. "Geralmente a colheita ocorre entre fevereiro e agosto, no sistema convencional. No plantio em túnel a colheita pode durar até mais de um ano".

Aprovado. "Aqui, 90% daqueles que trabalham com o morango já estão utilizando esse método com sucesso", diz o produtor e presidente da Associação de Produtores de Tocos do Mogi, Paulo Roberto Rodrigues. "Fora isso, também adotamos o sistema de fertiirrigação por gotejamento, ou seja, a água que molha as plantas diretamente na raiz é enriquecida com nutrientes." Além do aumento da produtividade, o produtor destaca como vantagem da aplicação dessas tecnologias a melhoria da qualidade do produto, que tende a ser maior que o cultivado sob o sol, e a menor necessidade de uso de defensivos agrícolas dado que sob os túneis de plástico as plantas ficam menos sujeitas a pragas e doenças.

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