MIT cria redes de fibras que enxergam

Em um desvio radical da óptica convencional baseada em lentes, cientistas do MIT desenvolveram um sofisticado sistema óptico constituído de redes semelhantes a uma malha de fibras detectoras de luz. As estruturas de fibra, que possuem uma série de vantagens sobre seus antecessores baseados em lentes, são capazes de avaliar a direção, intensidade e a fase da luz sem precisar de lentes, filtros ou detectores que são os elementos clássicos dos sistemas ópticos como olhos ou câmeras. Os pesquisadores esperam que o novo sistema seja capaz de muito mais, com aplicações potenciais indo de melhores telescópios espaciais a roupas que forneçam uma consciência situacional a soldados ou, até mesmo, a deficientes visuais.As redes de fibras transparentes poderiam até permitir que enormes telas de computador sejam ativadas com raios de luz ao invés do toque de um dedo. "Nós poderíamos usar a luz para aumentar a interação com computadores e até mesmo videogames", disse o professor Yoel Fink, do Departamento de Ciência e Engenharia dos Materiais e do Laboratório de Pesquisa de Eletrônicos, líder da equipe. Os cientistas reportam o trabalho na edição online de 25 de junho da Nature Materials, e está exposto na capa da edição impressa de julho da revista.O olho humano, câmeras digitais e filmadoras, e até mesmo o telescópio Hubble dependem de lentes e superfícies detectoras (como a retina) para criar imagens. Mas enquanto esses sistemas transmitem imagens excelentes, eles são limitados por questões tamanho, peso, fragilidade e limitado campo de visão.Em contraste, as redes de fibra são flexíveis e leves. Além disso, uma rede de fibra no formato de uma esfera pode sentir o volume total de espaço ao seu redor, de acordo com Fink.Além de ter um campo ilimitado de visão, a esfera de fibra pode detectar também a direção da irradiação de luz. A luz entra na esfera transparente em um ponto e sai em outro, fornecendo uma referência direcional.A equipe de Fink também criou uma rede bidimensional de fibras, e posicionou duas destas redes em paralelo. Essas estruturas, que podem medir a intensidade da luz irradiada, são capazes de gerar imagens de objetos colocados perto delas, como o formato de uma letra "E", recortado um papel e iluminado de trás. A imagem aparece em uma tela de computador, reconstruída de uma distribuição da intensidade de luz medida pelas redes.

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