Mladic está em hospital penitenciário em Haia, diz advogado

O ex-general servo-bósnio Ratko Mladic está em um hospital penitenciário em Haia, disse seu advogado na quinta-feira, e sua saúde deteriorou por causa de anos de descuido.

IVANA SEKULARAC, REUTERS

02 Junho 2011 | 16h27

"Ratko Mladic está no hospital prisão... ele não recebeu cuidados médicos adequados durante anos e seu estado não é bom", disse à Reuters o advogado Aleksandar Aleksic, em Haia, onde Mladic deve ser julgado por crimes de guerra.

O ex-general, de 69 anos, foi preso em um vilarejo sérvio na semana passada quase 16 anos depois de ser indiciado. Na maior parte do tempo, ele conseguiu viver discretamente e em segurança em Belgrado, confiando em simpatizantes leais que o consideram herói da guerra da Bósnia.

Ele perdeu os movimentos de uma mão devido a um acidente vascular cerebral sofrido anos atrás, mas continua com suas funções mentais.

Mladic, que foi extraditado para o tribunal de Haia nesta semana, deverá enfrentar a corte na sexta-feira para responder às acusações de genocídio pelo massacre de Srebrenica, ocorrido em 1995, quando 8 mil homens e meninos muçulmanos morreram, e pelo cerco de 43 meses a Sarajevo.

"Ele será transferido para a unidade de detenção amanhã (sexta-feira). Ele está em um hospital prisão, que tem dois quartos para os prisioneiros da ONU", disse Aleksic.

Mladic tem um quarto só para ele com um pequeno terraço externo onde pode caminhar e tem feito telefonemas à sua família, afirmou o advogado.

"Pedirei que seja submetido a novos exames médicos", acrescentou Aleksic. "Ainda não recebi seus registros médicos de Belgrado."

Na sexta-feira, Mladic terá a oportunidade nessa audiência inicial de falar em público sobre sua saúde e sobre as condições na prisão, afirmou o advogado.

Reportagens da mídia sérvia afirmam que Mladic pode não participar da audiência inicial. Segundo as regras do tribunal para crimes de guerra, ele pode adiar seu depoimento por 30 dias, confirmou uma porta-voz do tribunal.

O advogado de Belgrado que representou Mladic na semana após sua captura, mas que não conseguiu impedir sua extradição, disse na quinta-feira que o ex-general recebeu tratamento contra o câncer em 2009.

Milos Saljic disse à Reuters que havia "um relatório médico indicando que Mladic foi submetido a cirurgia e recebeu quimioterapia para tratar um linfoma não-Hodgkin em 2009" e que enviou o documento ao tribunal.

A ministra sérvia da Justiça, Snezana Malovic, e o vice-procurador de crimes de guerra, Bruno Vekaric, rejeitaram a alegação do câncer.

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