MMX perto de obter licença para triplicar produção

A MMX, mineradora do empresário Eike Batista, pode receber nos próximos dias a licença que faltava para iniciar a construção do complexo que expandirá a mina de Serra Azul, abrindo caminho para a mineradora quase triplicar sua produção.

SABRINA LORENZI E LEILA COIMBRA, REUTERS

28 Março 2012 | 17h13

O assunto está previsto para ser tratado na próxima segunda-feira reunião do Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam), segundo informação disponível no site do órgão.

"Estamos preparados para começar a construção imediatamente, com contrato pronto, empreiteiros à disposicao", afirmou o presidente e diretor de Relações com Investidoros da MMX, Guilherme Escalhão, em teleconferência para analistas de mercado nesta quarta-feira.

A licença de instalação aguardada pela MMX permitirá a construção do complexo de beneficiamento de Serra Azul, situada na região do Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, que fará a produção da MMX passar de 8,7 milhões de toneladas de minério de ferro por ano para 24 milhões de toneladas anuais.

O projeto, com perspectiva de entrada em operação no primeiro trimestre de 2014, prevê usina terminal ferroviário, um transportador de correia de longa distância, adutoras e estrutura para transmissão de energia.

"Cumprimos todos os requisitos, temos já licença inicial para o complexo de beneficiamento, obtida em agosto passado, e estamos prontos para obter a licença de implementação e de construção; esperamos que isso aconteça em breve", acrescentou o executivo.

A partir da licença, a empresa poderá obter financiamento para o projeto, que deverá consumir 4 bilhões de reais em investimentos. A empresa pretende financiar 75 por cento deste valor.

US$1 BI DOS ASIÁTICOS

O executivo informou na teleconferência que a empresa recebeu recentemente carta de intenção de bancos de fomento da China e da Coreia em valor que soma 1 bilhão de dólares.

A companhia da holding controlada por Eike Batista negocia com bancos de desenvolvimento da China e da Coreia do Sul, além do BNDES, financiamentos para cobrir parte dos investimentos do projeto de minério de ferro de Serra Azul.

A chinesa Wuhan Iron & Steel (Wisco) possui participação de 16 por cento na MMX, enquanto a coreana SK Networks detém 14 por cento. As duas fecharam contratos de 20 anos de fornecimento de minério de ferro com a empresa de Eike Batista.

A companhia informou em novembro que negociava na China com o CBC (China Development Bank) e com o Export-Import Bank of China. Na Coreia, da mesma forma, com o KDB (Korean Development Bank) e o Korea Exim. Itaú BBA e WeltLB foram contratados para auxiliar nas negociações.

AÇÕES EM ALTA

A expectativa de liberação da licença - e de financiamento -impulsionou os as ações da MMX neste ano. Depois de amargar queda constante a partir do segundo semestre do ano passado, as ações da companhia passaram a subir em 2012.

De janeiro até o fechamento desta terça-feira, os papéis acumulam alta de 39 por cento e, segundo um analista, a alta se deve às perspectivas de obtenção da licença.

PORTO DO SUDESTE

A expectativa da companhia é que já em abril haja audiências públicas para a análise de projetos ambientais necessárias ao desenvolvimento do Porto do Sudeste.

O minério de ferro produzido na Unidade de Serra Azul será exportado pelo Superporto Sudeste, que está em fase avançada de construção no município de Itaguaí (RJ). O Superporto Sudeste terá capacidade operacional de 50 milhões de toneladas por ano, na primeira fase, e a MMX já trabalha na expansão para 100 milhões de toneladas numa segunda fase.

Em setembro, a MMX arquivou no órgão ambiental do Rio de Janeiro EIA/RIMA requisitando a licença para a expansão da capacidade do Superporto Sudeste e tem como próximo passo para o licenciamento a realização de audiências publicas nas comunidades ao entorno, em Itaguaí.

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