Moçambicanos votam em eleições gerais profundamente disputadas

Moçambicanos votam em eleições gerais profundamente disputadas

A comissão eleitoral nacional deve começar a anunciar os resultados provisórios a partir de quinta-feira.

REUTERS

15 de outubro de 2014 | 18h12

Moçambicanos votaram nesta quarta-feira em eleições que deverão levar o partido Frelimo de volta ao poder em um dos países da África cuja economia rica em recursos naturais mais cresce, e os observadores internacionais disseram que o pleito foi no geral pacífico.

As seções eleitorais, muitas delas montadas em escolas, fecharam no país banhado pelo oceano Índico às 13h (horário de Brasília). Funcionários eleitorais começaram imediatamente a árdua tarefa de contar os votos manualmente.

A comissão eleitoral nacional deve começar a anunciar os resultados provisórios a partir de quinta-feira.

Durante a quarta-feira, filas se formaram nas seções eleitorais na capital, Maputo, e em outras cidades e aldeias. Os eleitores esperaram pacientemente para fazer a sua escolha nas eleições para presidente, Parlamento e assembleias provinciais.

"Até agora, tem sido bastante calmo, e eu gostaria que ficasse assim", disse a chefe da missão de observadores da União Europeia, Judith Sargentini, à Reuters logo após o fechamento das urnas.

Sargentini, membro holandês do Parlamento Europeu que foi um dos mais de mil observadores internacionais de monitoramento das eleições, disse que a votação parecia ter ocorrido, no geral, sem problemas nas mais de 17 mil seções, além de alguns atrasos e percalços. Um incidente envolvendo queima de cédulas foi relatado na província noroeste de Tete.

Doadores e investidores estrangeiros esperam que a votação ajude a enterrar velhas animosidades remanescentes da guerra civil 1975-1992 travada entre o Frelimo e o Renamo, seu velho inimigo.

Mais de 10 milhões de eleitores foram registrados para participar das eleições na ex-colônia de Portugal, cujos 2.500 quilômetros de costa se estendem da Tanzânia à África do Sul.

Os moçambicanos desejam que o vencedor use as reservas de carvão e gás natural recentemente descobertas para acabar com a pobreza e a desigualdade, além de gerar empregos.

"Este país tem riquezas naturais, de Rovuma a Maputo, mas ainda não estão sendo convertidas em benefícios para as pessoas", disse Alberto Eduardo, de 44 anos, um trabalhador que votou em uma escola de Maputo.

O Frelimo é um ex-movimento de libertação marxista que governou Moçambique desde a independência em 1975. Seu candidato presidencial, o ex-ministro da Defesa Filipe Nyusi, enfrenta tanto o líder do Renamo e ex-chefe rebelde, Afonso Dhlakama, como o representante de uma crescente terceira força, Daviz Simango, e seu Movimento Democrático de Moçambique (MDM).

O presidente atual, Armando Guebuza, do Frelimo, está impedido pela Constituição de concorrer a um terceiro mandato.

A eleição, a quinta presidencial desde que um acordo de paz de 1992 acabou com a guerra civil, é "a mais competitiva da história do país", disse à Reuters o vice-presidente de programas de paz do Carter Center, John Stremlau, que também atuava como observador internacional.

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