Modelo de desenvolvimento segue inalterado

Avanço da consciência ambiental é legado da Eco92, mas práticas contradizem discurso

Lisandra Paraguassu, O Estado de S.Paulo

23 de abril de 2011 | 00h00

BRASÍLIA

Desde a Eco 92, quando se criou o conceito de desenvolvimento sustentável, a consciência ambiental avançou. A prática, no entanto, ainda está muito longe de incorporar os pontos mais elementares da economia verde. Uso excessivo de petróleo, desmatamento e produção exagerada de resíduos continuam na pauta do dia.

"Avançamos muito nas coisas que dependem de tecnologia, de produtividade, de eficiência. Os processos que, além de melhorarem o impacto ambiental aumentavam o lucro e a competitividade, avançaram. Por outro lado, estamos muito atrasados nas mudanças do modelo de desenvolvimento", avalia Aaron Belinky, coordenador de processos internacionais do Instituto Vitae Civilis.

Exemplos de práticas que não combinam com o discurso não faltam. Nos anos 90 e 2000, o uso de automóveis do tipo SUV (Sport Utility Vehicle) - carros de passeio que usam plataformas de caminhonetes - cresceu enormemente, especialmente nos Estados Unidos e na Austrália.

Classificados como "caminhões leves", os veículos fugiam das restrições de emissões dos carros de passeio, mas consumiam o dobro de gasolina de um carro normal. Em anos de petróleo barato no mercado mundial, a questão ambiental não entrou na equação nem para as empresas, nem para os consumidores.

Esta semana, o Estado revelou mais um caso de prática muito longe do discurso. Para construir 500 casas populares do programa Minha Casa, Minha Vida, em Parintins, no Amazonas, foram derrubadas castanheiras de uma área de 300 mil m². A contrapartida para a obtenção da licença ambiental para a obra era que fossem plantadas 1,5 mil mudas de castanheiras, mas até agora nada foi feito.

"Mesmo que fosse feito, para uma muda virar uma árvore são dezenas de anos. Sem contar que o modelo adotado tem pouco a ver com a realidade regional. Gasta mais água, mais energia", diz Belinky. "São exemplos de como estamos atrasados. Tudo aquilo que se coloca de impacto positivo de longo prazo ficou para trás."

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