Moeda chinesa bate alta recorde frente ao dólar

Iuan foi cotado a US$ 7 nesta quinta; desde o início do ano moeda valorizou 4,5%.

Marina Wentzel, BBC

10 de abril de 2008 | 10h15

A moeda chinesa, o Iuan, bateu alta cambial recorde frente ao dólar nesta quinta-feira.A cotação fixada pelo Banco Central da China (People's Bank of China) estipula que cada dólar equivale hoje a 6,99 iuans.Esta é a maior valorização da moeda chinesa desde que o iuan deixou de ser atrelado ao dólar, em 2005. Atualmente, o iuan é ancorado em uma combinação de várias moedas, que inclui o iene japonês, o euro e o won coreano.Desde o começo do ano o iuan já acumulou ganhos de 4,5% ante o dólar.Somente nos três primeiros meses de 2008 a valorização já é mais do que a metade dos 7% observados ao longo do ano passado. EscaladaSegundo o governo, a elevação do valor do iuan é uma medida para ajudar a controlar as pressões inflacionárias que a China vem sofrendo há mais de oito meses.Somente em fevereiro, os preços ao consumidor registraram um aumento médio de 8,7%, o maior nos últimos 11 anos. Na próxima semana deverão ser anunciados os resultados do mês de março e a expectativa é de que haja mais aumento na inflação. O fortalecimento da moeda chinesa também ocorre simultaneamente ao enfraquecimento internacional do dólar. Desde o começo do ano tanto o Euro quanto o iene japonês ganharam cerca de 8.5% sobre a moeda americana, em meio aos cortes na taxa de juros aplicados pelo Banco Central dos Estados Unidos (FED) para aliviar temores de uma possível recessão.Na prática, o iuan forte também é uma resposta à pressão de Washington para desencorajar as exportações da China aos EUA. A cotação deverá ajudar a reduzir o déficit comercial de mais de 250 bilhões de dólares que os Americanos tem com a China.PIBAinda nesta quinta-feira o governo da China revisou para cima a estatística de crescimento do Produto Interno Bruto em 2007. Segundo o novo cálculo, a economia cresceu 11,9%, ao invés dos 11,4% anunciados anteriormente.A diferença de meio ponto percentual significa a geração de 291,1 bilhões de iuan (US$ 41,63 bi) a mais no PIB total de 24,953 trilhões de iuan registrado no ano passado. BrasilPara Iza Rainbow, consultora independente de comércio exterior, a nova valorização cambial afetará as exportações chinesas ao Brasil."Está muito difícil vender. Alguns brasileiros que compram produtos da China estão insatisfeitos, pois às vezes entre o fechamento do pedido e a entrega, a moeda valorizou tanto que os chineses querem receber a diferença, mas os brasileiros não querem pagar, pois não foi o valor previamente acordado", diz.Ela afirma que para se proteger, alguns empresários chineses estão exigindo que o contrato de venda tenha uma cláusula estipulando que o pagamento final seja feito com a correção cambial relativa ao período decorrido entre a encomenda e a entrega."Existem empresas que estão fechando contrato só em euros, pois o dólar frente ao iuan está perigando", disse Rainbow.O brasileiro Maurício Alvarenga, diretor da Factum Consultancy Importação e Exportação, com base na China, endossa a opinião de Rainbow e acredita que com o iuan forte, vai ficar mais difícil vender para o Brasil. "Com o câmbio do iuan forte fica realmente mais difícil de vender produtos chineses ao Brasil", diz Maurício.O brasileiro acredita que com a moeda chinesa mais forte, o Brasil talvez ganhe competitividade frente à China em algum terceiro território como a União Européia ou os Estados Unidos. "A importação de produtos brasileiros para a China em geral ainda está complicada, pois tem muita barreira sanitária, burocracia e padronização.""Competindo com a China no mercado global o Brasil ainda tem outras desvantagens que não são apenas o Real forte. Em comparação com a China não temos um parque fabril ágil, rede de logística eficiente, além de muitos tributos. Essas coisas complicam a exportação basileira", disse Maurício.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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