Felipe Rau/Estadão
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Antero Greco
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Momento árduo

São Paulo, Palmeiras e Flamengo vivem fase decisiva e com obstáculos a superar no Brasileirão

O Estado de S.Paulo

30 Setembro 2018 | 04h00

Quase colocava “Hora da verdade” como título, mas fiquei com vergonha do lugar-comum. Porém, é mais ou menos com isso que São Paulo, Palmeiras e Flamengo toparão daqui por diante e até o final do Brasileiro. O trio está no topo da competição, não vive crise – no sentido habitual –, no entanto tem obstáculos e “fantasmas” a superar na reta decisiva. Calma que explico.

O Tricolor lidera, tem 51 pontos, depende apenas de si. Muito bem, não fosse um detalhe: nas sete últimas apresentações, acumulou quatro empates, uma derrota e duas vitórias – suadas, por 1 a 0, em casa e contra Ceará e Bahia, rivais da parte de baixo da classificação e ameaçados.

O técnico Diego Aguirre reconhece a turbulência, não esconde queda de desempenho, promete reação. Só não abre abertamente o jogo no que se refere a limitações do elenco. Por enquanto, tira o máximo do grupo, que dá sinais de fadiga, embora há algum tempo se limite aos compromissos da Série A.

Cresce o temor, justificado, de ultrapassagem, pela diminuição de pique e sobretudo com a subida do Palmeiras, sem contar a sombra de Inter, Fla e agora também Grêmio. Por isso, aumenta a preocupação com o duelo com o Botafogo, à tarde, no Rio. Aguirre terá de botar a mão na massa e, pela enésima vez, mexer na escalação.

Há duas baixas importantes – Arboleda, suspenso, e Everton, com remota chance de recuperação. O zagueiro é esteio na defesa, o meia se tornou um dos pontos de referência do time. Bruno Alves entra na zaga e Edimar pode ser usado na ala esquerda. Com isso, Reinaldo será adiantado; a força dele pode compensar a ausência do talento de Everton na criação para Nenê e Diego Souza. Ao menos essa é a ideia.

 

O São Paulo parece aquele candidato que largou sem muita pretensão, depois subiu nas intenções de voto e vê, à medida que chega o dia do pleito, adversários encostarem. Recorrerá ao entusiasmo de seus seguidores e à ação do marqueteiro – no caso, torcida e técnico. Nisso tem sido impecável. Falta o postulante (o time) fazer a parte que lhe cabe, para deslanchar e não depender do corpo a corpo (ou ponto a ponto) nas 12 rodadas derradeiras.

Citei o Palmeiras ali atrás e é preciso destacar que faz campanha brilhante desde a volta do Mundial, com 9 vitórias, 4 empates e uma derrota (1 a 0 para o Flu, em 25 de julho). Não há como deixar a turma de Felipão sem o rótulo de candidata ao título; tem fôlego, elenco e cacife para tanto.

 

Agora surge o entrave: como reagirá à desclassificação na semifinal da Copa do Brasil? Os jogos com o Cruzeiro não mostraram time brilhante ou vibrante. Em que nível isso afetará a pretensão no Nacional e na Libertadores (se bem que essa fica para outra crônica)? Como fica a imagem de time que brigará por tudo? A resposta espera-se para o clássico matutino deste domingo, em casa (Pacaembu), justamente contra... o Cruzeiro.

Treinador e jogadores não podem cair na armadilha de “dar o troco” nos mineiros, por causa dos incidentes ocorridos após o jogo no Mineirão. Bobagem tremenda, erro pueril se entrarem em campo com alta voltagem. Felipão optou pela “formação B”, que tem dado conta do recado. E está na hora de colocar a dupla de zaga Luan/Gómez na “A”. Se não se perder por empáfia e pelos nervos, o Palestra pode ser aquele candidato que atropela no sprint. Mas deve ficar atento a pressões.

Junte-se um pouco de tensão do São Paulo e um tanto de cobrança do Palmeiras e se chega ao Flamengo. Até um tempo atrás, liderava o Brasileiro e estava vivo na Copa e na Libertadores. Foi desbancado num, eliminado nos outros. Trocou de técnico, apelou para Dorival Júnior, corre para não perder os ponteiros de vista e ontem visitou o Bahia. 

 

 

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