Monitor da Liga Árabe abandona missão na Síria

Um monitor da Liga Árabe deixou a Síria dizendo ter testemunhado "cenas de horror "que não teve condições de evitar e que a delegação enviada pela entidade ao país não estava atuando de modo independente. A equipe está na Síria para supervisionar o compromisso do governo de encerrar a repressão às manifestações contra o presidente Bashar al-Assad.

REUTERS

11 de janeiro de 2012 | 08h21

"Eu me retirei porque me encontrei na situação de estar servindo ao regime (sírio)", disse o argelino Anwar Malek à emissora de TV árabe Al Jazeera, ainda vestindo o colete laranja usado pelos monitores da Liga Árabe.

"Como eu estava servindo o regime? Eu estava dando ao regime uma oportunidade maior de continuar sua matança, e eu não podia evitar isso", declarou Malek em entrevista na sede da emissora, no Catar.

A missão de monitoramento da Liga Árabe, com 165 integrantes, começou a operar em 26 de dezembro. Sua tarefa é verificar se a Síria está cumprindo o acordo de pôr fim à repressão aos protestos que já duram dez meses. Segundo a ONU, mais de 5 mil pessoas foram mortas desde o começo das manifestações, em março.

Quando lhe perguntaram porque havia deixado a delegação, Malek respondeu: Ä coisa mais importante é ter sentimentos humanos, de humanidade. Eu passei mais de 15 dias em Homs... Vi cenas de horror, corpos queimados... Não posso deixar minha humanidade para trás nesse tipo de situação."

Malek criticou o líder da missão da Liga Árabe, o general sudanês Mohammed al-Dabi, cuja adequação ao cargo vem sendo questionada por entidades de defesa dos direitos humanos preocupadas com seu papel no passado no conflito de Darfur, no Sudão.

"O chefe da missão queria mudar o curso (do trabalho) para não irritar as autoridades sírias ou qualquer outra parte", disse Malek, que já havia chamado a atenção por comentários críticos postados no Facebook enquanto estava na Síria.

Na terça-feira a embaixadora dos EUA na ONU, Susan Rice, disse a repórteres que uma autoridade da ONU afirmou ao Conselho de Segurança que a Síria havia acelerado as matanças de manifestantes depois da chegada dos monitores.

(Por Martina Fuchs, em Dubai)

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