Monitoramento similar a quarentena é aprovado para soldados dos EUA em missão contra Ebola

O secretário de defesa dos Estados Unidos, Chuck Hagel, disse nesta quarta-feira que aprovou um esquema rigoroso de monitoramento de 21 dias, parecido com uma quarentena, para todos os soldados do país que retornarem da missão de ajuda ao surto de Ebola na África Ocidental, de acordo com o Pentágono.

DAVID ALEXANDER, REUTERS

29 de outubro de 2014 | 16h31

Hagel, seguindo as recomendações dos principais comandantes militares, assinou um memorando pedindo a implementação do plano para o regime de monitoramento, disse o almirante John Kirby, secretário de imprensa do Pentágono, em comunicado oficial.

Hagel também disse que a decisão vai ser revisada em 45 dias para avaliar "se esse monitoramento deve ou não continuar baseado no que aprendemos e observamos a partir da chegada das primeiras levas de soldados" retornando da missão de auxílio na África Ocidental, disse Kirby.

A ação do chefe do Pentágono foi estendida para todas as tropas dos EUA retornando de países atingidos pelo Ebola, uma política estabelecida inicialmente pelo general Ray Odierno, o chefe de pessoal do Exército.

Odierno demandou um período de isolamento de 21 dias para o major-general Darryl Williams, comandante do Exército dos EUA na África, e quase uma dezena de membros da sua equipe quando eles retornaram da África Ocidental para a sua base em Vicenza, no nordeste da Itália.

O período de isolamento de 21 dias é mais rigoroso do que o recomendado pelas autoridades de saúde norte-americanas, que pediram monitoramento, mas não isolamento, de quem retornasse das missões de auxílio e que não têm os sintomas da doença.

O governo do presidente norte-americano, Barack Obama, vem trabalhando para dissuadir os Estados dos Estados Unidos que querem impor quarentenas nos médicos, enfermeiras e outros profissionais de saúde que voltam da África Ocidental, além de ter lutado contra a pressão política de criar um banimento de viagens de pessoas vindo ou indo para as regiões afetadas.

Mas Obama parece apoiar os procedimentos mais rigorosos feitos pelos militares na terça-feira, dizendo que os soldados norte-americanos estavam em "uma situação diferente" se comparados com os profissionais de saúde.

Enquanto os civis estão sendo desencorajados a atuarem como voluntários na luta contra o Ebola ao enfrentar quarentena ao retornar, os soldados foram enviados como parte da sua missão e já poderiam esperar esse tipo de inconveniente, disse ele.

Hagel afirmou em um fórum em Washington na quarta-feira que "o fato é que as Forças Armadas vão ter mais norte-americanos na Libéria do que qualquer outro departamento".

"Os nossos grupos mais jovens são diferentes. Eles não são voluntários e isso também é uma política que foi discutida com bastante detalhe nas comunidades, pelas famílias dos soldados, e eles queriam muito uma válvula de segurança nesse assunto", disse Hagel.

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