Monitores da ONU deixam a Síria após fim de missão

Observadores militares da ONU deixaram Damasco, nesta segunda-feira, após quatro meses de missão na qual assistiram impotentes à escalada do conflito na Síria, ao invés de monitorarem um cessar-fogo entre as forças do governo de Bashar al-Assad e os rebeldes que tentam derrubá-lo.

DOMINIC EVANS, Reuters

20 de agosto de 2012 | 10h55

Sete veículos da ONU foram vistos deixando um hotel de Damasco na manhã de segunda-feira, levando alguns dos últimos membros de uma missão que chegou a ter 300 observadores espalhados pelo país.

Os monitores, desarmados, haviam suspendido suas operações em junho, depois de serem alvejados. A maioria já havia deixado o país, mantendo apenas um "escritório de ligação" em Damasco à espera de uma chance de acordo político - o que não aconteceu.

"Nossa missão fracassou porque os dois lados não cumpriram seus compromissos", disse um observador fardado, pedindo anonimato, no hotel de Damasco.

O mandato da missão de monitoramento, conhecida pela sigla Unsmis, expirou no domingo à noite, depois que diplomatas da ONU disseram não haver mais condições para mantê-la. Os últimos monitores devem deixar a Síria até sexta-feira.

Após uma breve trégua, a violência na Síria se intensificou durante a presença dos monitores, e pelo menos 9.000 pessoas foram mortas desde que o grupo chegou para fiscalizar a trégua declarada em 12 de abril, por iniciativa do então mediador internacional Kofi Annan.

O cessar-fogo não chegou a ser plenamente respeitado. O conflito na Síria já dura mais de 17 meses, período em que pelo menos 18 mil pessoas morreram e 170 mil fugiram do país, segundo a ONU. A organização estima que 2,5 milhões de sírios precisem de ajuda humanitária dentro do país.

Na segunda-feira, tropas e tanques do governo participaram de uma ofensiva para tentar expulsar as forças rebeldes do subúrbio de Mouadamiya.

Segundo um relato preliminar, pelo menos três pessoas morreram e 20 ficaram feridas no bombardeio nessa localidade contígua a Damasco, segundo ativistas de oposição.

Fazendo sua primeira aparição pública desde 18 de julho, quando um atentado rebelde matou quatro membros do primeiro escalão do governo, o presidente Bashar al-Assad participou no domingo, em Damasco, das preces que marcam o fim do mês sagrado do Ramadã.

O primeiro dia da celebração do Eid al Fitr também serviu de pretexto para manifestações da oposição no país todo, inclusive em Damasco, segundo ativistas.

Um grupo de oposição disse que houve combates em várias partes da Síria, com um saldo de mais de 130 mortos.

Assad foi mostrado pela TV ao lado do seu primeiro-ministro e do seu chanceler, mas não com o vice-presidente Farouq al Shara, cuja suposta deserção foi desmentida na véspera.

Desde o atentado de julho, Assad aparecia pela TV apenas em compromissos oficiais - como ao dar posse ao novo premiê, após a deserção do antecessor dele, na semana passada. Eventos públicos vinham sendo evitados.

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