Montadoras cobram política de inovação para reduzir custos

A indústria automotiva brasileira divulgou nesta quarta-feira um levantamento de problemas competitivos do setor, na expectativa de sensibilizar o governo a adotar medidas que facilitem a inovação tecnológica e ajudem a reduzir os custos de produção no país.

REUTERS

29 Junho 2011 | 18h54

O levantamento, feito em parceria com a consultoria PriceWaterhouseCoopers (PWC) desde o fim do ano passado, aponta para uma série de deficiências na indústria brasileira de veículos, que vislumbra ter capacidade para suprir um mercado interno esperado em 6 milhões de automóveis em 2020, ante expectativa de 3,7 milhões de unidades para este ano.

De acordo com a pesquisa, o Brasil atualmente possui um custo de produção de veículos 60 por cento maior do que o da China, considerada no levantamento como país de menor custo de para o setor.

Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, os problemas no Brasil relacionados à competitividade da cadeia automotiva não podem ser resolvidos no curto e médio prazos.

"Não há fórmula mágica que resolva os problemas em seis meses. Estamos apontando os problemas e indicando um caminho (...) e esperamos que as conclusões da pesquisa sejam incluídas na nova política industrial do governo".

O governo brasileiro deve anunciar até o fim de julho medidas para estimular o setor industrial, promover a inovação e reduzir a dependência da economia em commodities.

Como parte dessa política, estão em análise desonerações na folha de pagamento, de investimentos fixos e de bens de capital, principalmente para setores mais fragilizados, disse nesta quarta-feira o ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Fernando Pimentel.

INOVAÇÃO

Bellini afirmou também que a Anfavea não fez qualquer pedido de estímulo ao apresentar o levantamento aos ministérios da Fazenda e de Ciência e Tecnologia, além do próprio MDIC.

"Talvez não se chegará nunca a uma redução do gap de 60 pontos em relação à China (...) somente inovação desruptiva pode conseguir um salto no nosso sistema", disse ele, citando como último grande exemplo de tecnologia brasileira no setor o uso do etanol em motores de automóveis.

No custo de produção apurado no levantamento da PWC, o Brasil aparece com os piores índices entre os países pesquisados. Com relação ao custo de capital, o Brasil tinha em maio uma taxa real de juros de 5,5 por cento, enquanto o México tinha 1,1 por cento e a China, 1 por cento.

Em termos de custos de mão-de-obra, o Brasil paga 5,3 euros por hora, enquanto no México são 2,6 euros/hora e na China 1,3 euro/hora.

Belini, que também preside o grupo Fiat na América Latina, afirmou que, no curto prazo, a solução "é importar" veículos.

Quando perguntado sobre como a indústria poderia atender o crecente mercado interno de maneira competitiva frente aos outros países do mundo, Belini explicou que se a nova política industrial adotar mecanismos para estimular a competitivdade, o setor poderia recuperar o desequilíbrio da balança comercial automotiva entre 2015 e 2016.

Em 2006 o saldo dessa balança foi positivo em 9,6 bilhões de dólares, enquanto no ano passado houve déficit de 6 bilhões de dólares.

"O setor automotivo representou 60 por cento da redução do saldo comercial brasileiro entre 2006 e 2010", disse Belini.

(Por Alberto Alerigi Jr.)

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