Montagem de palco que papa usará em favela nem começou

A favela da Varginha ainda não está pronta para a visita do papa Francisco. Somente nesta quarta-feira a prefeitura começou a preparar o terreno que receberá, na próxima quinta-feira, 30 mil pessoas. A montagem do palco onde o pontífice discursará sequer começou a ser executada.

CLARISSA THOMÉ, Agência Estado

18 de julho de 2013 | 09h00

Inicialmente, ele falaria na laje do vestiário do campo de futebol, mas o local foi considerado inseguro. Pela manhã, escavadeiras da Secretaria de Conservação abriram o acesso por onde o público chegará para ver o papa - um muro que ficava atrás do gol foi derrubado. Falta retirar o alambrado que cerca o campo e que ameaça cair.

"Demorou muito. A prefeitura havia prometido entregar tudo pronto no dia 15, mas a reunião em que ficou acertada essa limpeza do campo só aconteceu ontem (dia 16)", afirmou Everaldo Oliveira, integrante da equipe de coordenação para a visita do papa da paróquia de São Jerônimo Emiliani.

A assessoria do Rio Eventos, órgão da prefeitura, negou que haja atraso nas obras. Informou que o governo municipal já havia recapeado o asfalto e instalado os refletores no campo de futebol e os contêineres de lixo. E ressaltou que a construção do palco ficou a cargo do Comitê Organizador Local da Jornada (COL). O comitê não se pronunciou até as 20 horas desta quarta-feira.

Embora animados com a presença do papa, os moradores se queixam da falta de informações. Há boatos de que o comércio ficará fechado na Rua Carlos Chagas, por onde Francisco caminhará; de que os moradores não poderão usar os becos que ligam as Ruas Oswaldo Cruz e Carlos Chagas; de que o trânsito na favela será fechado dia 24, véspera da visita. Nem o COL nem a prefeitura esclareceram essas dúvidas. "É capaz de que nós, moradores, não consigamos atravessar a rua para chegar ao campo", reclamou Cláudio Lopes, de 50 anos.

A proximidade da visita do papa Francisco tem mudado a rotina dos 1.157 moradores da favela. Quase diariamente há vistorias de equipes de segurança - homens da Polícia Federal, agentes com cães farejadores e policiais militares passam com frequência pela comunidade.

Nesta quarta-feira, oito homens da Gendarmaria, força de segurança do Vaticano, percorreram o caminho que o papa Francisco fará no dia 25: passaram pela capela, caminharam pela Rua Carlos Chagas e seguiram até o campo de futebol. Deixaram rapidamente a comunidade ao serem abordados pela reportagem.

Presente

Os moradores de Varginha querem que Francisco leve um pedaço da comunidade para Roma. Centenas de chaves e medalhas foram recolhidas para fazer um mosaico do brasão papal, que terá ainda a areia da Praia de Copacabana. O quadro começou a ser preparado nesta quarta à noite. Uma família de origem humilde foi escolhida para entregar o presente. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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