Moody's rebaixa rating em moeda local da Petrobras

A Moody's rebaixou o rating global em moeda local da Petrobras, justificando que a medida reflete o aumento do nível de dependência entre a Petrobras e o governo brasileiro. O rating caiu de A2 para A3, informou a agência de rating em um comunicado nesta quinta-feira, indicando que a perspectiva do rating é estável.

REUTERS

18 de junho de 2009 | 15h51

O rebaixamento acontece uma semana depois que a agência de classificação de risco Standard & Poors reduziu o rating da Petrobras de "BBB" para "BBB-", também com perspectiva estável.

A Moody's destacou que a dependência do governo tem aumentado consideravelmente no último ano, devido à exploração do pré-sal, que elevou o acesso da estatal aos recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

"O aumento da dependência e elevado nível de suporte do governo reduziram o benefício de elevação implícita do rating", explicou a Moody's.

Somente este ano, a empresa acertou financiamento de 25 bilhões de reais com o BNDES e para 2010 prevê mais 10 bilhões de dólares com o banco de fomento.

"As agências estão vendo muito mais a questão política do que uma preocupação com fluxo de caixa", avaliou Mônica Araújo, da corretora Ativa.

"Todo esse movimento agora, de ela estar na mídia ligada mais a eventos políticos do que à sua atividade operacional sempre deixa um pouco mais de preocupação", complementou.

Como consequência, na visão de Mônica, o custo de financiamentos futuros deverá ficar maior, o que também é preocupante diante da necessidade da companhia de realizar seu ambicioso plano de 174,4 bilhões de dólares até 2013, além dos recursos que serão necessários depois disso para continuar a desenvolver os blocos do pré-sal, cujo pico de produção será em 2017.

Citando as perspectivas de aumento de produção e baixa alavancagem, a Moody's manteve no entanto o rating de dívida em moeda estrangeira da Petrobras e o rating da empresa na escala nacional.

"O rating em moeda estrangeira Baa1 da Petrobras é suportado pela avaliação de crédito individual de nível 8 da companhia (equivalente a Baa1), o qual incorpora a qualidade fundamental de crédito da Petrobras e o risco político brasileiro, incluindo a baixa probabilidade de que a Petrobras estaria sujeita a uma moratória generalizada de dívida no Brasil", afirmou a agência em nota.

A agência citou que apesar dos fortes investimentos previstos, o crescimento da dívida pode ser acomodado dentro da atual categoria de rating da Petrobras, "baseado na melhora de seu balanço e na expectativa do elevado aumento da produção de petróleo e gás a partir dos seus grandes desenvolvimentos atuais".

A Petrobras estima dobrar a atual produção de cerca de 1,9 milhão de barris diários de petróleo até 2020, com forte contribuição dos blocos descobertos no pré-sal da bacia de Santos.

(Por Denise Luna)

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