Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Moradia da USP tem 94 habitantes irregulares

Há estudantes que não conseguiram vaga, ex-alunos e até gente de fora da universidade

Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

21 Novembro 2015 | 00h31

Atualizada às 12h21

O Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo (Crusp) na Cidade Universitária, no Butantã, zona oeste da capital, tem atualmente 94 moradores irregulares.São alunos que não conseguiram uma vaga oficial e, mesmo assim, vivem no local, ex-alunos e e, em alguns casos, até pessoas que não fazem ´parte da comunidade universitária. O conjunto é destinado a estudantes de baixa renda. O dado foi levantado pela instituição a pedido do Estado.

Quando um estudante em situação irregular é identificado, o serviço social da universidade faz o contato com os ocupantes e oferece dois caminhos: hospedagem regular temporária, que é quando outros moradores oferecem espaço no apartamento, ou desocupação. Não são feitas sindicâncias sobre esses casos, mas se há insistência, o processo é encaminhado à Procuradoria-Geral da USP e é solicitada a reintegração de posse. Atualmente, há sete solicitações do tipo em andamento na Justiça.

O aumento de vagas no Crusp é uma demanda histórica dos estudantes, que reclamam que a expansão da universidade não refletiu no espaço.

O estudante Roger Luiz Bolsi, de 23 anos, calouro de Geografia, pensa em desistir da graduação por não conseguir vaga nos apartamentos. Ele veio de Medianeira, município de cerca de 41 mil habitantes no oeste do Paraná, para fazer o curso, mas afirma não ter condições de pagar aluguel na região. Hoje vive irregularmente no Crusp e divide um apartamento com outras cinco pessoas – o espaço é para apenas três. “Essa nomenclatura de irregular só serve para marginalizar um aluno que não teve acesso ao direito de permanência”, reclamou.

A estudante intercambista de mestrado Claudia Blanco, de 27 anos, disse que passou mais de um ano da graduação em Geografia, feita na USP, como moradora informal do Crusp. “Quando cheguei não tinha vagas. Fiquei dependendo de pessoas que me acolheram, que conheci no corredor”, contou ela. Hoje regularizada, conta que às vezes compartilha o apartamento com calouros que ainda não conseguiram se estabilizar. “Há muitos que vêm de fora e não têm onde ficar”, disse.

Bolsa. Ao ingressar na USP, qualquer estudante que esteja na primeira graduação e que tenha renda familiar per capita de até três salários mínimos pode solicitar moradia. Neste ano, a universidade selecionou 2.100 pessoas aptas a residir no Crusp, de acordo com o nível socioeconômico, mas só 200 conseguiram vaga. O restante foi atendido com uma bolsa mensal de R$ 400 válida por um ano, além de R$ 200 de vale-transporte e alimentação subsidiada a R$ 1,90 no restaurante universitário. O conjunto tem oito blocos, totalizando 1.566 vagas.

Se observado o questionário de avaliação socioeconômica feito pelos matriculados após a última chamada do vestibular 2015 da instituição, 2.204 estudantes informaram ter renda familiar de até três salários mínimos. Os dados, divulgados pela Fuvest, referem-se a todas as unidades – não só à Cidade Universitária.

Inclusão. Conforme revelou o Estado nesta semana, o governo paulista negocia com as três universidades estaduais um reforço nas verbas de permanência estudantil em troca de mais inclusão de alunos na rede pública. A ideia é ajudar com o pagamento de bolsas e até instalar nos câmpus restaurantes populares Bom Prato, que ficariam sob gestão do Estado. A contrapartida é que as instituições tenham ao menos metade dos calouros vindos da escola pública já em 2017. A meta, no entanto, é vista como um "norte" pelo governo, e não uma obrigação.

Hoje, a maior parte das políticas de permanência - como a construção de moradias, os bandejões e as bolsas - é bancada pela principal fonte de receita da universidade, uma parcela de 9,57% da arrecadação estadual do  Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

 

 

 

 

 

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