Moradores do Morro Santa Marta fazem manifestação

Na primeira manifestação realizada por moradores do morro Santa Marta, em Botafogo, na zona sul do Rio, desde o início da onda de protestos que se espalhou pelo País, em junho, cerca de 300 pessoas percorreram ruas do bairro nesta segunda-feira à noite para cobrar antigas promessas de urbanização feitas pelo governo e criticar o que classificaram de "maquiagem" da favela, além da violência policial em comunidades pobres.

FELIPE WERNECK, Agência Estado

08 de julho de 2013 | 20h25

Na passeata, realizada sob chuva, o grupo percorreu trechos das principais ruas de Botafogo e protestou em frente ao Palácio da Cidade, uma das sedes da prefeitura do Rio. Pouco antes da chegada dos manifestantes, guardas municipais acorrentaram o portão do palácio. As Ruas São Clemente e Voluntários da Pátria, por onde o grupo caminhou, não chegaram a ser interditadas - os manifestantes usaram duas faixas e o trânsito fluiu pela terceira.

Durante o percurso, que durou duas horas, moradores de apartamentos piscavam luzes e motoristas buzinavam, sinalizando apoio ao ato. Por meio de faixas e gritos, manifestantes cobravam melhorias sociais na favela. O Santa Marta foi a primeira comunidade do Rio a receber uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), em dezembro de 2008, mas até hoje não dispõe de creche pública, e o esgoto ainda corre a céu aberto por vielas.

À frente do grupo, Erick, de 11 anos, levava um cartaz de papelão com a frase Não quero ratos na minha casa". A moradora Sheila Souza criticou a forma como o governo estadual promove o turismo na favela. "A gente não é macaco de circo para turista. Dizer que há interação com morador é mentira. Se ficarmos calados, nada vai mudar", discursou. "As casas de madeira continuam no mesmo lugar. Chega de maquiagem, queremos uma política de qualidade para o Santa Marta".

O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) foi o principal alvo do ato. Houve críticas ao valor da taxa de luz cobrada após a instalação da UPP, aos frequentes enguiços do bonde que leva moradores até o alto do morro, à falta de saneamento, às remoções programadas no topo da favela, à retirada de uma rádio comunitária do ar, à falta de diálogo com o governo e à violência policial. A manifestação terminou pacificamente às 20h30.

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