Morales antecipa de surpresa votação de Constituição

Presidente da Bolívia reage à notícia de que opositores teriam procurado Exército.

Marcia Carmo, BBC

09 de dezembro de 2007 | 07h20

O presidente da Bolívia, Evo Morales, antecipou, de surpresa, na noite de sábado, a votação final para aprovação da nova Constituição do País.O prazo para a conclusão da Constituinte vencia no dia 14 de dezembro, mas Morales decidiu pela antecipação depois da revelação de que dois governadores da oposição procuraram as Forças Armadas, pedindo a "defesa da integridade nacional e contra a intromissão estrangeira".O presidente boliviano reagiu. "Apostar na democracia não é convocar golpes de Estado", disse. "Este processo de mudanças não pode ser parado".Alguns dos integrantes da oposição reclamaram que estavam votando um texto que desconheciam, já que havia sido aprovado, de forma geral, sem a presença de todos os integrantes da assembléia."É uma imensa irresponsabilidade votar uma Constituição desta forma, sem debates, de forma rápida e com tanta ausência", reclamou Ricardo Polgue, da Unidade Nacional.Já constituintes do Movimento ao Socialismo, que apóia o governo de Morales, recordaram, em entrevistas, que os bolivianos ainda poderão rejeitar ou aprovar a nova carta, num referendo. A Assembléia Constituinte começou há pouco mais de um ano, e na sessão desta madrugada contou com 160 presentes de um total de 255 constituintes.Entre os artigos mais polêmicos da nova Carta poderiam estar o que permite a reeleição indefinida e o que redefine a propriedade privada.A Assembléia Constituinte se reuniu em Oruro, terra natal de Morales, num edifício cercado por indígenas, mineradores, estudantes e outros simpatizantes do líder boliviano.A escolha do local foi uma surpresa para muitos opositores, mas governistas justificaram dizendo que este era o lugar "mais seguro".Há cerca de duas semanas, o texto geral da nova Constituição foi aprovado num colégio militar de Sucre. Houve confrontos entre seguidores de Morales e seus opositores, resultando em três mortes.Mas, segundo a Agência Boliviana de Informação, quando se anunciou que havia quórum para a realização das votações no sábado, mineradores festejaram detonando dinamites.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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