Morales critica mediação de Arias em crise de Honduras

O presidente da Bolívia, Evo Morales, criticou na terça-feira a mediação exercida na crise hondurenha por seu colega da Costa Rica, Oscar Arias, afirmando que seria injusto conceder aos golpistas a mesma anistia que se pretende dar ao governo deposto.

REUTERS

28 Julho 2009 | 18h57

O mandatário indígena recomendou a Arias que abandone sua proposta de anistia, que é parte de uma proposta inicialmente rejeitada, mas que desde segunda-feira tramita no Congresso hondurenho.

Morales, membro de um grupo de governantes esquerdistas da América Latina, reiterou seu apoio ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e a declarações de organismos internacionais em prol da restituição da ordem institucional em Honduras.

"Quero pedir com muito respeito ao presidente Arias, o conheço muito bem, que não cometa o erro, porque pedir anistia para o presidente constitucional Zelaya seria como dizer que é um delinquente, portanto não se há de dar anistia", disse Morales.

"Não pode haver tampouco anistia para os golpistas", acrescentou Morales em discurso perante uma assembleia camponesa na região de Santa Cruz (leste).

Morales repetiu sua denúncia de que o golpe militar de 28 de junho em Honduras foi realizado por "oligarcas" aliados dos EUA, que supostamente estariam buscando impedir mudanças propostas por Zelaya em referendo.

Há quase duas semanas, o governo boliviano recebeu com honras oficiais a chanceler do governo Zelaya, Patricia Rodas, e pediu aos golpistas que devolvam o poder ao presidente honesto.

"Não se pode entender ainda que em algum país latino-americano, centro-americano, haja um golpe militar, um golpe de oligarquias", insistiu na terça-feira.

(Reporte de Carlos A. Quiroga)

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