Morales diz que agência dos EUA 'incentiva' drogas na Bolívia

Presidente boliviano disse que entregará provas contra a DEA a Barack Obama.

Marcia Carmo, BBC

07 Novembro 2008 | 09h06

O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse nesta quinta-feira que a DEA (a agência americana de combate às drogas) "protege" e "incentiva" o narcotráfico no país e que entregará as provas disso ao presidente eleito dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama. Há alguns dias, Morales determinou a saída do órgão americano da Bolívia. "Tomara que o novo presidente (Obama) possa ver estes documentos. Não estamos simplesmente acusando e nem desprestigiando a DEA, porque temos provas", afirmou Morales, segundo a agência oficial de notícias ABI."Os (empregados) da DEA eram protetores de grandes traficantes. E os que criticam a expulsão do organismo devem estar desesperados pelo 'bônus' com o qual eles corrompiam autoridades políticas e setores da Polícia Nacional". "Bofetada"Para analistas, ouvidos pela BBC Brasil, as declarações de Morales sinalizam que o presidente boliviano não deve mudar sua postura em relação aos Estados Unidos, mesmo com a eleição de um novo presidente.No mês de setembro, Morales expulsou o embaixador americano no país, afirmando que ele participara de conspiração contra a Bolívia. Pouco depois, o atual presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, determinou a suspensão das tarifas preferenciais para produtos bolivianos exportados para o mercado americano, alegando que a Bolívia não estava fazendo o suficiente para combater as drogas.Fernando Edgard Nuñez Jimenez, professor de direito da Universidade Privada de Santa Cruz de la Sierra e articulista de jornais locais, disse que o governo boliviano "rejeita o sistema neoliberal e capitalista que representa os Estados Unidos" e por isso "a relação da Bolívia com Estados Unidos não mudará porque Obama foi eleito"."A expulsão da DEA é uma bofetada na política exterior dos Estados Unidos, e não só na política de Bush, mas do país".Para Jimenez, a Bolívia se afasta "cada vez mais" dos Estados Unidos e de outros países da região, que "escolheram caminho diferente desse", como o Brasil. "Política de conflito"O cientista político René Mayorga, do Centro Boliviano de Estudos Multidisciplinares, afirmou que a eleição de Obama é vista com "cautela" tanto pela situação quanto pela oposição boliviana. Mayorga disse que, apesar do "pouco entusiasmo" na Bolívia com a eleição do novo presidente americano, por não haver expectativas de grandes mudanças na relação bilateral, há chances de mais diálogo do que atualmente."Acho que haverá mudanças porque acredito que Obama terá maior abertura e diálogo com a América Latina, mas ainda é cedo para dizer se esse diálogo será igual para todos (os países da região)". "A América Latina não está entre as prioridades dos Estados Unidos hoje. Antes estão a crise financeira e as guerras no Iraque e no Afeganistão e muito depois a América do Sul", disse. Segundo ele, a postura crítica de Morales aos Estados Unidos "não ajuda" no surgimento de um novo modelo de relação. "A política de Morales não é política própria. Ele segue política de (Hugo) Chávez e esta tende a ser a política de conflito", disse Mayorga. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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