Mordomo do papa é preso por vazar papéis

Paolo Gabriele, do círculo próximo de Bento XVI, é apontado como maior suspeito de ter passado correspondência pessoal do papa para a imprensa

ROMA, O Estado de S.Paulo

26 Maio 2012 | 03h04

Um homem identificado por fontes vaticanas como o mordomo do papa foi preso no Vaticano depois que a polícia encontrou em sua posse "documentos reservados" da Santa Sé.

A prisão foi confirmada ontem pelo vice-diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Ciro Benedittini, pouco depois que o porta-voz, Federico Lombardi, informou que agentes de polícia localizaram "uma pessoa com posse ilegal de documentos reservados". Segundo ele, o suspeito foi colocado à disposição da magistratura vaticana "para maiores averiguações".

Ainda que oficialmente o Vaticano não tenha revelado o nome do homem detido, fontes da Santa Sé asseguraram que se trata de Paolo Gabriele, de 46 anos, considerado um dos membros da chamada "família do papa" - um reduzido número de pessoas composto por seus dois secretários, os padres Georg Ganswein e Alfred Xuereb, quatro leigas italianas consagradas e uma freira alemã - que cuidam do apartamento papal -, além do próprio Gabriele.

Gabriele é um romano que trabalha no apartamento papal desde 2006, depois de estar a serviço do prefeito da Casa Pontifícia, o arcebispo James Harvey.

Bento XVI, segundo fontes vaticanas, foi informado da prisão do seu mordomo e se mostrou "muito triste" com a notícia.

Segundo as mesmas fontes, os policiais encontraram "uma grande quantidade de documentos reservados" na casa em que Gabriele vive com sua esposa e três filhos na Via de Porta Angelica, anexa ao Vaticano.

O suspeito foi colocado à disposição do promotor de Justiça do Vaticano, Nicola Picardi, que já o interrogou ontem por várias horas. A prisão teria surpreendido autoridades eclesiásticas e há quem duvide que Gabriele de fato seja o autor dos vazamentos, servindo apenas como um bode expiatório.

Se for comprovada a culpa, Gabriele pode ser condenado a até 30 anos de prisão por violação da correspondência de um chefe de Estado, um crime equivalente a um atentado contra a segurança do Estado.

A detenção ocorreu depois de investigações realizadas nos últimos dias pela polícia para esclarecer o caso dos vazamentos de documentos da Santa Sé nos meios de comunicação.

As investigações se desenvolveram segundo as instruções recebidas pela Comissão Cardinalícia, criada no mês passado por Bento XVI para investigar os vazamentos e presidida pelo cardeal espanhol Julián Herranz, ex-presidente do Conselho Pontifício para os Textos Legislativos.

A detenção ocorreu um dia depois de o Banco do Vaticano (IOR) destituir seu presidente, Ettore Gotti Tedeschi, "por não ter cumprido com as obrigações do cargo" e por despertar "preocupações" pela sua gestão. / EFE

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