Leonardo Lara/Divulgação
Leonardo Lara/Divulgação

Morre no Rio o cineasta Paulo Cezar Saraceni

O diretor estava internado desde outubro do ano passado em decorrência de um AVC

ALFREDO JUNQUEIRA, Agência Estado

14 Abril 2012 | 19h45

O cineasta Paulo Cezar Saraceni, 79 anos, morreu no início da tarde deste sábado, no Hospital Federal da Lagoa, na zona sul do Rio. Ele estava internado desde outubro do ano passado, depois de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC). A causa da morte foi disfunção múltipla dos órgãos. O velório do cineasta será neste domingo no Parque Lage. Seu corpo será cremado na segunda-feira.

Um dos fundadores do Cinema Novo, Saraceni tinha mais de 50 anos de carreira. Ele começou em 1959, com o curta-metragem Arraial do Cabo. A produção rendeu a ele sete prêmios internacionais, notoriedade e uma temporada no Centro Sperimentale di Roma. Quando voltou ao Brasil, filmou Porto das Caixas (1962), a partir de um roteiro original do escritor mineiro Lúcio Cardoso. A parceria entre os dois resultaria ainda em A Casa Assassinada (1974) e O Viajante (1998) - este baseado num livro inacabado do autor.

Saraceni também filmou uma adaptação da obra de Machado de Assis, com Capitu (1968). Duas de suas obras mais recentes são documentários. Em 1996, ele concluiu Bahia de Todos os Sambas, iniciado por Leon Hirszman na década de 1980, sobre um festival de música com diversos artistas baianos na Itália. Em 2003, Saraceni dirigiu Folia de Albino - Banda de Ipanema, que conta a história de um dos principais blocos carnavalescos do Rio e de seu fundador, Albino Pinheiro.

O último filme dirigido pelo cineasta foi O Gerente, concluído no ano passado, mas ainda não lançado em circuito comercial. Baseado num conto homônimo de Carlos Drummond de Andrade, a obra tem no elenco os atores Ney Latorraca, Joana Fomm, Othon Bastos, Letícia Spiller e Ana Maria Nascimento e Silva - com quem Saraceni era casado há 35 anos.

O também cineasta e presidente da Academia Brasileira de Cinema, Roberto Farias, lamentou a morte de Saraceni, de quem era amigo desde a década de 1960. "Quando morre um cineasta, principalmente, um que fez parte de um grupo de revolucionou o cinema no Brasil, fica para mim o sentimento de que o cinema brasileiro fica mais pobre", disse Farias. "Mas sabia que ele estava no hospital há muito tempo. Quando um amigo está numa situação dessas, a gente quase reza para que Deus acabe com seu sofrimento. É uma perda muito importante", lamentou o cineasta.

Mais conteúdo sobre:
CinemaPaulo Cezar Saracenimorte

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.