Morre o ex-líder venezuelano Rafael Caldera

Antecessor de Chávez, ele tinha 93 anos e sofria de Parkinson

, O Estadao de S.Paulo

24 Dezembro 2009 | 00h00

O ex-presidente da Venezuela Rafael Caldera, que governou de 1969 a 1974 e de 1994 a 1999, morreu na madrugada de ontem em Caracas aos 93 anos, anunciou a família, destacando que não aceitaria nenhuma homenagem de Estado.

"Ele sofreu por vários anos de Parkinson, uma doença muito dolorosa que enfrentou com muita dignidade, sem reclamar ou protestar, mas nos últimos anos ele já tinha dificuldade para falar e esta madrugada Deus o levou", disse seu filho Andrés Caldera Pietri à emissora privada União Rádio.

Andrés acrescentou que sua família não aceitará nenhuma homenagem do governo do presidente Hugo Chávez, a quem o ex-presidente venezuelano entregou o poder em 1999. Caldera foi um árduo opositor de Chávez.

Caldera nasceu em San Felipe, no Departamento de Yaracuy, em 24 de fevereiro de 1916. Fundou o partido social-cristão Copei e tomou parte do Pacto de Ponto Fixo, firmado no final dos anos 50 após a ditadura de Marcos Pérez Jiménez pelos principais líderes políticos venezuelanos e que assentou as bases para a democracia no país sul-americano.

Caldera, que várias vezes foi candidato à presidência da Venezuela, chegou ao poder em 1969 com o Copei e em 1994, apoiado por uma coalizão de partidos.

Durante seu segundo governo, Caldera indultou os militares envolvidos na tentativa de golpe de Estado de 1992 liderada por Chávez, contra Carlos Andrés Pérez. Após sair da prisão, Chávez aliou-se ao partido de esquerda Quinta República que o levou à presidência em 1998.

Também é atribuída a Caldera a "pacificação do país", ao obter uma trégua entre os grupos armados de esquerda que se enfrentaram com o governo nas décadas de 60 e 70, para que se integrassem à vida política venezuelana.

Caldera foi advogado e doutor em ciências políticas e autor de vários ensaios políticos e legais. Ele foi presidente durante a maior crise financeira da Venezuela, entre 1994 e 1995, que arrasou com a metade do sistema financeiro do país e teve um custo de US$ 11 bilhões. O filho de Caldera disse que o ex-presidente será enterrado amanhã.

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