MORRE UM GÊNIO DO HUMOR

Artista, que criou e interpretou personagens no rádio e na TV, estava internado desde dezembro e não resistiu a uma parada cardíaca, causada por infecção pulmonar

RIO, O Estado de S.Paulo

24 Março 2012 | 03h04

Memória

Criador e intérprete de personagens inesquecíveis do rádio e da TV, como Pantaleão, Professor Raimundo, Alberto Roberto e Justo Veríssimo, entre mais de 200 outros tipos, o humorista Chico Anysio morreu ontem, aos 80 anos, no Hospital Samaritano (zona sul do Rio).

Ele estava internado desde o dia 22 de dezembro, por causa de uma hemorragia digestiva. Anysio teve pneumonia, complicações renais, passou por hemodiálise e respirava com o auxílio de aparelhos.

Cearense de Maranguape e vascaíno fanático, Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho completaria 81 anos no dia 12 de abril. Morreu às 14h52, de falência múltipla dos órgãos, em decorrência de um choque séptico causado por infecção pulmonar. Anysio não resistiu à segunda parada cardíaca.

Durante todo o período de internação, o comediante teve a companhia de sua sexta mulher, Malga di Paula. Ela dava boletins aos amigos e fãs pelo Twitter, sublinhando sempre o apego do marido à vida. Ao meio-dia de ontem, escreveu: "Depois de um dia muito difícil, Chico dorme bem". E disse que notícias sobre a morte do ator eram "apenas boatos".

Seis dos oito filhos de Chico, um deles adotivo, visitavam o pai com frequência no CTI do Samaritano. Rodrigo, de 18 anos, e Vitória, de 17 - do casamento com a ex-ministra Zélia Cardoso de Mello -, que moram nos EUA, embarcaram ontem para o Brasil.

Segundo a assessora particular de Anysio, Luciane Sender, o artista manteve a lucidez até meados da semana passada, quando o seu estado de saúde se agravou. Mesmo sem conseguir falar, por causa da traqueostomia, ele se comunicava por leitura labial e escrevia com caneta em um quadro próximo à cama. "Domingo passado, ele estava tão lúcido que quis saber do meu bebê", contou Luciane, grávida.

Em agosto de 2010, Chico foi submetido a uma cirurgia para retirada de parte do intestino. O humorista já tinha a saúde fragilizada por um enfisema pulmonar, resultado de 40 anos de tabagismo. Em 2011, passou 110 dias no hospital, sendo 72 no CTI.

Homenagem. Em São Paulo, a organização do festival Risadaria, no Pavilhão da Bienal, anunciou a exibição de um vídeo com cenas de Chico Anysio antes de cada uma das apresentações no teatro até o último dia do festival, no domingo. À noite, foi feita uma homenagem diferente: um minuto de silêncio seguido de cinco segundos de gargalhadas, puxadas pelo humorista Paulo Bonfá, idealizador e diretor do evento.

Em entrevista ao Estado em 2009, Anysio, que celebrava então 40 anos de Rede Globo, mostrou-se triste por não ter um programa só seu desde o fim da Escolinha do Professor Raimundo.

"Até hoje, em qualquer lugar do Brasil, as pessoas reclamam da minha ausência. Isso me ajuda a encarar essa geladeira", lamentou o humorista.

O governador Sérgio Cabral decretou luto oficial de três dias. O velório será hoje no Teatro Municipal, na Cinelândia, aberto ao público às 14 horas. O corpo será cremado amanhã, no cemitério do Caju. / CLARISSA THOMÉ, ROBERTA PENNAFORT, LUCIANA NUNES LEAL, HELOISA ARUTH STURM, ANTONIO PITA e GUILHERME CONTE

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