Mortalidade infantil cai a seu menor nível, aponta Unicef

Taxa diminui para 9,7 milhões por ano, em comparação aos 13 milhões anuais que eram registrados em 1990

Agências internacionais,

13 de setembro de 2007 | 08h35

A taxa de mortalidade infantil diminuiu na América Latina e em outras regiões do mundo, atingindo seu menor nível histórico, segundo dados publicados nesta quinta-feira, 13, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância e Adolescência (Unicef).  A taxa de mortalidade infantil entre as crianças com menos de cinco anos diminuiu em nível global para 9,7 milhões por ano, em comparação aos 13 milhões anuais que eram registrados em 1990, segundo o Unicef. "É um momento histórico", disse a diretora-executiva do Unicef, Ann Veneman, em comunicado à imprensa, porém, ainda é "inaceitável".  Segundo os dados desta instituição da Organização das Nações Unidas (ONU), os países latino-americanos e caribenhos "estão no caminho para alcançarem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, com uma média de 27 mortes por cada mil nascimentos, diante das 55 por mil que tinham em 1990". Segundo o relatório do Unicef, a redução generalizada da mortalidade infantil aconteceu por causa da adoção de medidas básicas de saúde, incluindo o aumento da vacinação de crianças, do uso de redes de proteção contra mosquitos da malária e da amamentação de recém-nascidos são algumas das razões que contribuíram para a queda. Os casos de pneumonia, diarréia e desnutrição severa foram reduzidos. Além disso, o acesso à água potável e à higiene teve uma melhora. Ela afirmou que "hoje em dia sobrevivem mais crianças que nunca, e por isto é o momento de avançar na saúde pública para alcançar os objetivos de Desenvolvimento de Milênio". Um destes objetivos é reduzir em dois terços a mortalidade infantil entre 2010 e 2015, para que 5,4 milhões de vidas sejam salvas. No entanto, a diretora-executiva da entidade disse que não queria mostrar "complacência" por estas conquistas e declarou que "a perda de 9,7 milhões de vidas por ano é inaceitável". Segundo Ann Veneam, a maior parte das mortes poderia ser prevenida e há soluções para isto. "Sabemos que as vidas destas crianças podem ser salvas se elas tiverem acesso a serviços sanitários em suas comunidades, que devem estar apoiados por um sistema forte", acrescentou. "Os progressos são possíveis caso se atue com urgência". O Fundo da ONU para a Infância (Unicef) declarou que os dados obtidos foram apresentados por países, que realizaram pesquisas em 50 países entre 2005 e 2006. Ásia e África Segundo estes relatórios, a taxa de mortalidade infantil diminuiu porque os casos de crianças infectadas por sarampo reduziram 60% desde 1999, uma redução que chegou a 75% em países da África Subsaariana. "Um grupo de países realizou avanços particularmente importantes desde a partir de 1999, como Marrocos, Vietnã e República Dominicana", diz o comunicado, que afirma que a taxa de mortalidade de menores de cinco anos teve uma redução de mais de um terço nestas três nações. Na China, o número caiu de 45 mortes a cada 1.000 crianças, em 1990, para 24 em 2006, e na Índia a queda foi de 115 para 76. A Ásia era a região com a maior taxa de mortalidade infantil, mas agora a África sub-saariana responde por 50% das mortes. Ainda assim, na mesma região, o número de mortes causadas por sarampo caiu 75% graças ao aumento da área coberta por campanhas de vacinação.  O Unicef declarou que das 9,7 milhões de crianças mortas, 3,1 milhões são do sul da Ásia e 4,8 milhões da África. "No mundo em desenvolvimento, a mortalidade infantil é consideravelmente maior entre as crianças que vivem em áreas rurais e nos lares mais pobres", acrescentou o estudo. A entidade afirmou que a taxa de mortalidade infantil desceu 29% entre 200 e 2004 em Malauí. A redução foi menor - 20% - em Etiópia, Moçambique, Namíbia, Níger, Ruanda e Tanzânia. A Unicef também afirmou que os países latino-americanos, caribenhos, do leste e centro europeu, do leste asiático e do Pacífico reduziram as taxas de mortalidade infantil.  Além disso, o Fundo afirmou que as taxas de mortalidade mais elevadas ocorrem ainda entre os países africanos centrais e ocidentais. Já no sul da África, a vida das crianças é ameaçada pelas altas taxas de infecções de aids.

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