Morte de dois xiitas intensificam protestos no Barein

Manifestantes tomaram a capital do Barein na quarta-feira para acompanhar o cortejo fúnebre de um homem morto em confronto com as forças de segurança do reino, durante protestos inspirados nas recentes revoluções do Egito e da Tunísia.

CYNTHIA JOHNSTON E FREDERIK RICHTER, REUTERS

16 de fevereiro de 2011 | 21h02

Mais de mil pessoas participaram do cortejo da vítima, baleada durante a procissão fúnebre de outro manifestante, na terça-feira.

Cerca de 2.000 pessoas estão acampadas em um importante cruzamento no centro de Manama, exigindo a mudança do governo e queixando-se de dificuldades econômicas, falta de liberdades políticas e discriminação da monarquia sunita contra os xiitas, que são maioria da população.

Os protestos, em seu terceiro dia, estão entre os mais graves no pequeno país do golfo Pérsico desde os distúrbios xiitas da década de 1990.

"O povo exige a queda do regime!", gritavam os manifestantes, enquanto os homens batiam ritmadamente no peito, num gesto de luto característico dos xiitas.

O rei Hamad bin Isa al Khalifa manifestou condolências aos parentes dos dois mortos desta semana, e disse que uma comissão irá investigar os incidentes. O Ministério do Interior prometeu punir os responsáveis pelas duas mortes se houver provas de que a polícia usou uma força "injustificável."

A chancelaria local disse que dois suspeitos pelos assassinatos já foram presos, "o que deixa claro que o Reino do Barein não tolera o uso excessivo da força em nenhum momento."

Em nota, o chanceler Khaled bin Ahmed al Khalifa "notou que os protestos poderiam acontecer em qualquer país livre e democrático."

Na cidade sunita de Riffa, local de origem de muitos membros da família dominante, pelo menos mil manifestantes pró-governo fizeram uma manifestação agitando bandeiras e exibindo retratos do rei.

Analistas dizem que os distúrbios no Barein podem estimular a minoria xiita da vizinha Arábia Saudita a também se rebelar, o que poderia ter impactos sobre o mercado global de petróleo.

O Barein propriamente dito não tem uma produção petrolífera relevante, mas abriga serviços bancários e financeiros importantes na região do golfo Pérsico, além de ser sede da Quinta Frota da Marinha dos EUA.

PREMIÊ HÁ 40 ANOS

O tom das manifestações subiu depois das mortes de dois xiitas em 24 horas. Os manifestantes exigem a deposição do primeiro-ministro, xeque Khalifa bin Salman al Khalifa, que governa a ilha desde o fim do colonialismo britânico, em 1971.

Por enquanto, porém, os manifestantes não têm cobrado mudanças no topo da hierarquia. O sobrinho do premiê, rei Hamad bin Isa al Khalifa, tem a palavra final no governo do país de 1,3 milhão de habitantes, metade deles estrangeiros.

"Estamos solicitando nossos direitos de forma pacífica", disse o estudante Bakr Akil, de 20 anos, enrolado em um lençol tingido de vermelho, simbolizando sua disposição em morrer pela liberdade.

Mulheres com trajes negros tradicionais acompanharam a procissão com seus próprios gritos por paz e unidade nacional.

Um funcionário do Banco Central local disse que os protestos não afetariam a economia do país ou seu setor financeiro.

Mas, num sinal de preocupação dos investidores, o custo do seguro da dívida pública contra uma moratória chegou ao seu maior nível desde agosto de 2009. Os CDS de 5 anos tiveram alta de 13 por cento em dois dias.

A Bolsa local ficou estável, mas na Arábia Saudita, ligada ao Barein por uma ponte, o principal índice acionário teve queda de 1,8 por cento, no seu menor valor em duas semanas.

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