Morte de militar lança sombra sobre eleição em Guiné-Bissau

O ex-chefe da inteligência militar de Guiné-Bissau foi morto a tiros perto de sua casa na capital Bissau, durante a noite, algumas horas depois da votação pacífica em uma eleição presidencial, afirmaram testemunhas e autoridades da segurança na segunda-feira.

REUTERS

19 Março 2012 | 15h58

O assassinato do coronel Samba Diallo segue-se a uma série de mortes de políticos no minúsculo país do oeste da África, conhecido reduto de traficantes de cocaína. Muitos esperavam, porém, que a eleição trouxesse um período de maior estabilidade.

Um morador do bairro de Diallo disse à Reuters que homens armados com fuzis atiraram contra o militar pouco antes da meia-noite no domingo. Outra testemunha disse ter visto o corpo de Diallo no necrotério de um hospital depois dos tiros.

As Forças Armadas de Guiné-Bissau têm sido notoriamente indisciplinadas desde a independência de Portugal em 1974. A rivalidade entre alguns oficiais aumentou com a disputa pelo comércio das drogas, dizem analistas.

Diallo era considerado aliado do candidato à presidência do partido do governo e ex-primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior, e era bastante temido na época em que foi chefe da inteligência militar por sua suposta participação em golpes e assassinatos políticos, afirmaram fontes diplomáticas.

As autoridades, no entanto, afirmaram que não há ligação entre o assassinato e o pleito. "Os acontecimentos de ontem não têm nada a ver com a eleição. Nada, absolutamente nada, deve colocar dúvida sobre o calmo desenrolar do processo eleitoral", disse o porta-voz militar Daha Bana em uma entrevista coletiva.

O presidente da comissão eleitoral, Desejado Lima da Costa, disse após se reunir com autoridades militares: "Tivemos cooperação total das Forças Armadas na garantia da segurança para o processo eleitoral o tempo todo até o final."

Ele disse que os primeiros resultados eleitorais da eleição de domingo serão divulgados até o próximo fim de semana.

Familiares de Diallo reuniram-se na manhã de segunda-feira na casa dele, em um prédio simples. "Eu não sei se isso está relacionado com a eleição ou não", disse a mulher dele, Fatoumata.

(Por Richard Valdmanis e Alberto Dabo)

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