Morte de modelo foi a segunda envolvendo cirurgião de Goiás

Funcionária pública que sofreu parada cardiorrespiratória após lipoescultura nos glúteos morreu há seis meses

RUBENS SANTOS, ESPECIAL PARA O ESTADO / GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2012 | 02h08

A morte da modelo Louanna Adrielle Castro Silva, de 24 anos, após uma cirurgia de implante de silicone nas mamas, foi a segunda envolvendo o cirurgião plástico Rogério Morale de Oliveira. Uma outra paciente morreu há seis meses após uma cirurgia de lipoescultura para enxerto de gordura nos glúteos. O caso está sendo investigado.

A funcionária pública Raila Silva Leal, de 32 anos, sofreu uma parada cardiorrespiratória depois da cirurgia, realizada na clínica em Jataí, a 322 quilômetros de Goiânia (GO).

"Em 14 anos de profissão, nos quais participei de mais de 3 mil procedimentos cirúrgicos, tivemos um único outro infortúnio, ainda em investigação sobre a causa mortis. Neste episódio, uma paciente durante cirurgia de lipoescultura, teve complicações após enxerto de gordura nos glúteos", afirmou o médico, em nota divulgada ontem.

A polícia de Goiás informou que vai ouvir Oliveira amanhã de manhã. A delegada Mirian Aparecida Borges de Oliveira, titular do 13.º Distrito Policial de Goiânia, que investiga o caso, disse que o médico e a equipe que atuou com ele na cirurgia de Louanna foram intimados. A modelo morreu no sábado, após duas paradas cardíacas.

'Normas adequadas'. Na nota à imprensa, o médico negou que tenha havido "negligência ou imperícia". Disse que todo procedimento cirúrgico "foi realizado de acordo com as normas técnicas adequadas e com assistência de profissionais anestesistas e centro cirúrgico equipado do Hospital Buriti".

No documento, ele ressaltou que "durante a cirurgia, a paciente apresentou duas paradas cardíacas, que foram revertidas, de imediato, pela equipe médica".

Ontem, a delegada ouviu os pais, o irmão e o marido da modelo. De acordo com Mirian Aparecida, um detalhe chamou atenção: o relatório de avaliação de risco cirúrgico não teria sido solicitado pelo médico, embora a família tenha histórico de cardiopatias.

O pai, Lourenço Adriano Silva, disse que Louanna estava bem de saúde e afirmou que a morte ocorreu após um "grave erro médico".

Já a mãe da modelo, Dênia de Castro Silva, revelou que, quatro dias antes da cirurgia, ela havia manifestada indisposição. "Ela sofreu dois desmaios seguidos, reclamou de fortes dores de cabeça e seus olhos ficaram vermelhos."

A família já decidiu que vai buscar reparação na Justiça.

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