Morte de suspeito é pouco investigada no Rio

A investigação dos homicídios apresentados à Polícia Civil do Rio como "autos de resistência" (quando um suspeito é morto pela polícia durante ocorrência) é realizada com menos empenho do que a apuração dos demais crimes, indica pesquisa do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Por isso, quase nenhum policial investigado por ocorrência do tipo é punido.

FÁBIO GRELLET, Agência Estado

29 Maio 2012 | 09h58

Em 2005, por exemplo, 707 suspeitos morreram em 510 autos de resistência. Foram instaurados 355 inquéritos policiais, segundo a Polícia Civil, e desses, três anos depois, só 19 haviam se tornado processos. Outros 15 estavam em delegacias especializadas, em situação indefinida. Dos 19 processos, 16 foram arquivados a pedido do Ministério Público, dois ainda tramitavam e só um havia levado à condenação.

Coordenada pelo sociólogo Michel Misse, a pesquisa acompanhou a investigação, pela polícia, e o trâmite dos processos penais, na Justiça do Rio, de casos ocorridos entre 2001 e 20011. Nesse período, segundo dados oficiais do Instituto de Segurança Pública (ISP), mais de 10 mil pessoas foram mortas em confronto com a polícia no Estado.

Os pesquisadores acompanharam casos que chegaram aos promotores da 1.ª Central de Inquéritos, a uma delegacia da zona norte da cidade e às quatro Varas dos Tribunais do Júri, no Tribunal de Justiça do Rio. Também foram feitas entrevistas com policiais militares e civis.

No Estado do Rio, em 2008, houve 1.137 vítimas de autos de resistência e 26 policiais mortos, ou seja, para cada policial morto, houve 43,7 civis mortos. A Secretaria de Segurança disse que não se pronunciará sobre a pesquisa. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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