Mortes civis no Afeganistão atingem nível recorde, diz ONU

A primeira metade deste ano teve o maior número de civis mortos para um período de seis meses no Afeganistão desde o início da guerra que já dura dez anos, disse a missão da ONU no país nesta quinta-feira.

MICHELLE NICHOLS, REUTERS

14 de julho de 2011 | 12h37

Mortes civis atingiram um nível recorde, subindo 15 por cento na comparação com a primeira metade de 2010, devido a ataques suicidas, explosões à beira de estradas, aumento nos combates terrestres e mais mortes por ataques aéreos.

A Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão (Unama, na sigla em inglês) disse que 1.462 civis morreram em incidentes relacionados a conflitos. A entidade culpou os insurgentes por 80 por cento das mortes -- alta de quase um terço em relação ao mesmo período no ano passado.

"O aumento na onda de violência e derramamento de sangue na primeira metade de 2011 levou a níveis sem precedentes os civis afegãos feridos e mortos no atual conflito armado", disse o relatório, acrescentando que os planos de entregar a segurança para autoridades locais em partes do país contribuíram para o aumento de vítimas.

"A violência aumentou à medida que (insurgentes) buscavam demonstrar que as forças de segurança afegãs não conseguiriam administrar a segurança sozinhas", acrescentou o documento.

Staffan de Mistura, representante especial no Afeganistão para o secretário-geral da ONU, disse em coletiva de imprensa que a missão da ONU estava em contato com o Taliban para pedir uma redução no número de mortes civis. Ele não quis comentar sobre a resposta do grupo militante à solicitação da ONU.

Forças ligadas ao governo, incluindo a polícia, o Exército afegão e tropas lideradas pela Otan, foram responsável por 14 por cento das mortes de civis, queda de 9 por cento. Mas os ataques aéreos, uma das táticas mais controversas na guerra, mataram mais pessoas.

O relatório descobriu que ataques aéreos realizados pela Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf, na sigla em inglês), eram a principal causa de mortes de civis por forças pró-governo, matando 79 civis por enquanto em 2011, alta de 14 por cento em relação ao período do ano anterior.

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