Mortes em Mianmar podem passar de 100 mil, dizem EUA

Mais de 100 mil pessoas podem termorrido por causa do ciclone em Mianmar, disse uma diplomatanorte-americana na quarta-feira, citando informações vindas dadevastada região do delta do rio Irrawaddy. "A informação que estamos recebendo indica que pode haverbem mais de 100 mil mortes na área do delta", disse ShariVillarosa, encarregada de negócios da embaixada dos EUA emMianmar. Ela falou a jornalistas por teleconferência de Yangon. A rádio e a TV estatais, principais fontes de informaçãosobre danos e vítimas, apresentou uma cifra atualizada de22.980 mortos, 42.119 desaparecidos e 1.383 feridos. Foi ociclone mais devastador na Ásia desde 1991, quando 143 milpessoas morreram na vizinha Bangladesh. O ciclone Nargis, que atingiu o delta do Irrawaddy e Yangonna terça-feira, tinha ventos de até 190 quilômetros por hora etambém provocou um maremoto, o que causou a maioria das mortesem localidades litorâneas. "Estimamos que até 1 milhão de pessoas atualmente precisemde abrigo e assistência para salvar suas vidas", disse àReuters em Bangcoc Richard Horsey, do Escritório de Coordenaçãode Assuntos Humanitário da ONU. Segundo ele, uma área de 5.000quilômetros quadrados está submersa. Tailândia, China, Índia e Indonésia já começam a enviarajuda à região, mas há receios de que a junta militarbirmanesa, tradicionalmente reclusa, não abra o país ao esforçohumanitário internacional. A França cogita sugerir umaresolução da Organização das Nações Unidas (ONU) que imponhatal ajuda à força, mesmo que isso viole a soberania de Mianmar.EUA e Austrália também fizeram um apelo para que os generaisaceitem a ajuda humanitária, e a ONU cobrou mais facilidades naconcessão de vistos para seus funcionários. Analistas dizem que o ciclone pode ter implicaçõesduradouras sobre a junta militar, que é ainda mais temida eodiada pela população por causa da violenta repressão àsmanifestações pró-democracia lideradas por monges budistas emsetembro. A antiga Birmânia está sob regime militar há 46 anos. (Reportagem adicional de Darren Schuettler e SukreeSukplang em Bangcoc e Michael Perry em Sydney)

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