Mortes em mina chinesa chegam a 92

Tragédia expõe o perigo da exploração desenfreada de carvão, responsável por três quartos da energia da China

, O Estadao de S.Paulo

23 de novembro de 2009 | 00h00

O número de mortos na violenta explosão ocorrida no sábado numa mina de carvão da Província chinesa de Heilongjang, na fronteira com a Rússia, chegou ontem a 92, segundo a agência estatal de notícias Xinhua. As equipes de resgate ainda procuram por 16 pessoas desaparecidas no acidente que já é considerado o pior da indústria mineira chinesa nos últimos dois anos.

Autoridades e especialistas vinculam a crescente demanda da China por fontes de energia e a necessidade imperiosa de crescimento econômico como uma das causas da explosão. O carvão mineral responde por três quartos da geração de energia na China e as minas são exploradas num ritmo vertiginoso, com prejuízo para os padrões de segurança.

"Desenvolvimento é importante, mas o crescimento do PIB não deve valer o preço do sangue dos mineiros chineses", afirmo Li Zhanshu, governador da província onde o ocorreu o acidente.

Todos os anos, centenas de chineses perdem suas vidas em acidentes em minas de carvão. Para tentar reduzir os riscos, o governo já fechou ou estatizou mais de mil pequenas minas privadas em todo o país.

Em fevereiro, uma explosão semelhante deixou 78 mortos na Província de Shanxi. Em março, outros 30 mineiros perderam a vida na cidade de Chongging.

O acidente de sábado em Heilongjang provocou a demissão sumária do diretor, do vice-diretor e do engenheiro-chefe da mina.

DESLOCAMENTO DE AR

O acidente ocorreu às 2h30 (hora local), depois que o nível de concentração de gases no interior da mina subiu repentinamente. Dos 528 trabalhadores que estavam no local no momento do acidente, 420 tiveram tempo de correr para fora, mas o deslocamento de ar em altas temperaturas provocado pela explosão acabou atingindo mais de 100 trabalhadores ao longo dos túneis da mina centenária. Pelo menos 40 pessoas ficaram feridas.

Os mineiros que chegaram ao Hospital do Povo de Xingshan "estavam horrorizados", disse um médico identificado apenas como Chen, que trabalha no local.

"Foi horrível, foi horrível", repetia Tang Cunha, morador da cidade mineira de Hegang, que acompanhava as buscas atrás do perímetro de segurança estabelecido pela polícia. Ele comparou o estrondo e o estrago provocados pela explosão a um forte terremoto.

Funcionários encarregados de monitorar o nível dos gases na mina contam que, quando pegaram o telefone para avisar os trabalhadores nos andares subterrâneos sobre a iminência da explosão, foram surpreendidos por um forte estrondo.

Autoridades dizem que os 16 mineiros desaparecidos podem estar presos num corredor subterrâneo de 500 metros. As equipes de resgate restabeleceram o fornecimento de ar e energia no interior da mina. "Se ainda não os achamos, significa, para nós, que eles ainda estão vivos. Resgatá-los é nossa prioridade", disse San Jingguang, porta-voz da companhia.

Preço Alto

Li Zhanshu

Governador da Província de Heilongjang

"Desenvolvimento é importante, mas o crescimento do PIB não deve valer o preço do sangue dos mineiros"

San Jingguang

Porta-voz da companhia de mineração

"Se ainda não achamos os 16, significa que ainda estão vivos. Eles são nossa prioridade"

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