Mortes por câncer de próstata dobram em 25 anos no Brasil

Um perfil da evolução do câncer no Brasil, divulgado nesta segunda, mostra que a taxa de mortalidade por tumor de próstata cresceu 95,48% entre 1979 e 2004. Em números absolutos, é o segundo tumor que mais mata os homens no País, depois do câncer de pulmão. O dado torna-se ainda mais preocupante porque o tumor de próstata é de fácil diagnóstico. Entre as mulheres, o tipo de câncer que mais cresceu em letalidade no mesmo período foi o de pulmão (96,95%). De diagnóstico mais fácil, o de útero teve aumento de 7,04%, e o de mama, de 38,62%. Ao divulgar os dados nesta segunda, no Dia Nacional de Combate ao Câncer, o diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (Inca), Luiz Antônio Santini, declarou que, em geral, não existe uma causa específica para o crescimento da doença no País, mas uma soma de fatores, que vão desde o envelhecimento da população até hábitos alimentares e fatores de risco ambiental. "Precisamos investir na prevenção e na identificação precoce do diagnóstico. O câncer não é uma doença só de especialistas", afirmou ele, na sede do Inca, ressaltando que profissionais que trabalham em postos de saúde e no Programa de Saúde da Família (PSF) precisam estar preparados para suspeitar da presença do câncer. Um reforço nas ações de diagnóstico poderia, por exemplo, ajudar a reduzir o câncer de próstata, que, segundo a pesquisa, é detectado no estágio inicial apenas em 7% dos casos. Quando o diagnóstico do tumor primário é feito logo, 90% dos pacientes têm uma sobrevida de cinco anos. Já se for detectado tardiamente, essa proporção cai para a metade.Coordenador do Núcleo de Pesquisa em Câncer da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Eduardo Côrtes, considerou o crescimento da taxa de mortalidade por câncer de próstata um dado muito preocupante, pois a doença pode ser detectada por meio de exames simples, como o de sangue. "Chama muita a nossa atenção, pois não é difícil de diagnosticar. Para fazer isso de forma precoce, basta o exame de toque retal associado ao exame que revela dosagem PSF (sigla em inglês de antígeno prostático específico) no sangue", ressaltou, informando que ele deve ser realizado todos os anos a partir dos 50 anos. Segundo Côrtes, embora a incidência do câncer de próstata não vá diminuir, por estar diretamente ligado ao envelhecimento, o diagnóstico na fase inicial pode reduzir significativamente a mortalidade.Entre o sexo feminino, o reforço no diagnóstico poderá ajudar a reduzir, especialmente, o câncer de colo de útero, evitado com um exame ginecológico. Porém, a publicação do Inca mostra que há Estados do País onde as amostras recolhidas para a análise são insatisfatórias.Na Bahia, por exemplo, 42,3% delas se encaixam nesse perfil. "É impressionante que isso ocorra, pois é algo muito simples", considerou Côrtes, que ressaltou a importância de melhorar o diagnóstico para todos os tipos de câncer. Mais gastosA publicação do Inca, que, ao contrário dos anos anteriores, não traz estimativas para o câncer para 2007, mostra ainda que os gastos do governo federal com a doença aumentaram 103% nos últimos seis anos, passando de R$ 570 milhões para R$ 1,1 bilhão. Segundo Santini, o aumento é reflexo dos altos custos de novos tratamentos e drogas. "Cresceu de forma exponencial. E a tendência é crescer mais. O que precisamos é usar os recursos da melhor forma possível", disse, observando que isso é possível investindo, por exemplo, no diagnóstico precoce, que evita procedimentos de alto custo e permite aumentar o atendimento à população.

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