Mortos chegam a 100 em SC, indústria contabiliza prejuízos

Autoridades continuam empenhadas no resgate de vítimas e em levar suprimentos a milhares de desabrigados pelas chuvas em Santa Catarina, enquanto já se contabilizam os primeiros prejuízos da tragédia que deixou aos menos 100 mortos na última semana. No Vale do Itajaí, região mais atingida pela enxurrada que causou o alagamento de cidades, bloqueou estradas, cortou o fornecimento de energia e fechou o principal porto da região. O prejuízo causado pela paralisação da economia supera os 350 milhões de reais na região, segundo previsão divulgada nesta quinta-feira pela Federação das Indústrias do Estado de SC (Fiesc). A estimativa da Fiesc leva em conta o Produto Interno Bruto (PIB) do Vale do Itajaí, sem incluir danos à infra-estrutura, às residências ou ao parque fabril, disse a federação. Dez cidades da região foram declaradas em estado de calamidade pública. Em Blumenau e Itajaí, as duas maiores economias da localidade, mais de 60 mil pessoas estão desabrigadas ou desalojadas, e o número de mortos passa de 80. Desde a última sexta-feira algumas empresas fecharam as portas devido ao agravamento das chuvas, que vêm castigando Santa Catarina há três meses. A partir de sábado, a economia do Vale do Itajaí ficou praticamente estagnada, segundo uma assessor da Fiesc. "Os funcionários simplesmente não conseguiam chegar ao local de trabalho. A prioridade das empresas, inclusive, nem era o prejuízo, mas tentar ajudar os empregados que perderam tudo", disse ele à Reuters por telefone A atividade mais atingida foi a indústria da cerâmica e seus fornecedores, que foram obrigados a parar as operações em decorrência da interrupção do fornecimento de gás natural. Cerca de 8 mil trabalhadores foram colocados de licença. Os setores metal-mecânico e têxtil também interromperam as atividades depois que a chuva causou o rompimento de um duto de gás na cidade de Gaspar, no domingo. A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), que opera o gasoduto, informou que o reparo levaria 20 dias. No porto de Itajaí, que também está fechado desde a semana passada por conta das chuvas, mais de 260 milhões de dólares deixaram de circular, com base na média diária de movimentação de 33,5 milhões de dólares até o mês passado. Além do prejuízo em Santa Catarina, empresas gaúchas também foram prejudicadas pela falta de gás. Segundo a Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, os setores mais atingidos foram metal-mecânico, siderúrgico e cerâmico. AJUDA E RESGATE Seis dias após o registro das primeiras mortes causadas pelo temporal, a Defesa Civil catarinense continua nesta sexta-feira empenhada em resgatar vítimas e levar os suprimentos necessários às milhares de vítimas que foram obrigadas a deixar suas casas. Além das mortes registradas até agora, há 19 pessoas desaparecidas. A prioridade no atendimento será na localidade do Morro do Baú, em Ilhota, município com maior número de mortes no Estado, 29. Há ainda pessoas isoladas na área, onde ainda existe a preocupação de novos deslizamentos. "Muitas pessoas ainda estão sem água e comida. A maioria dos helicópteros está hoje no Morro do Baú, resgatando vítimas e levando os suprimentos", disse um sargento da Defesa Civil catarinense. A Caixa Econômica Federal informou que vai disponibilizar 1,5 bilhão de reais em crédito para subsidiar ajuda às famílias que sofreram com as chuvas. O banco disse em comunicado que as vítimas das chuvas também poderão sacar parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS). Uma grande onda de doações se espalhou por várias partes do país. Segundo o Estado, mais de 3 milhões de reais foram recebidos. Algumas partidas de futebol comemorativas de final de ano e uma tradicional corrida de kart promovida pelo piloto Felipe Massa, em Florianópolis, também vão levantar recursos para as vítimas. (Reportagem adicional de Alice Assunção)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.